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Deus é o único e verdadeiro Senhor da História

29º Domingo do Tempo Comum – Ano A/18.10.2026

As leituras que a liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum apresenta recordam-nos que Deus é o único Senhor do Universo. É n’Ele que temos de colocar a nossa esperança; é a Ele que devemos confiar a nossa vida; é para Ele que devemos caminhar; é a Sua vontade que devemos abraçar.

O texto da primeira leitura do profeta Isaías 45, 1.4-6 apela à esperança. Os oráculos  aí proferidos destinam-se a “consolar” e a dar esperança aos exilados, desalentados e abatidos após décadas de sofrimento numa terra estrangeira. O Senhor usa Ciro, rei dos persas (um pagão que nem sequer O conhecia), como o Seu instrumento (“ungido”) para libertar o povo de Israel do exílio na Babilónia. Deus é o único e verdadeiro Senhor da História; Ele não está condicionado por fronteiras religiosas ou políticas. A reflexão sublinha que Deus serve-Se de realidades profanas e líderes humanos para realizar o Seu plano de salvação e libertação. Isso recorda aos fiéis que nenhuma força geopolítica escapa ao desígnio maior da providência divina. Portanto, a primeira leitura garante-nos: Deus nunca perde o controlo da história e nunca abandona os seus filhos que peregrinam na terra. Ele encontra sempre forma de intervir no mundo e de concretizar os seus projectos de salvação.

Na segunda leitura aos Tessalonicenses Paulo, Silvano e Timóteo, ao verem como os cristãos de Tessalónica vivem a sua experiência cristã, sentem uma irreprimível vontade de louvar e de agradecer a Deus. Eles têm consciência de que, por detrás de tudo o que está a acontecer na comunidade cristã de Tessalónica, está Deus. Por isso elogiam a actuação da sua fé, o esforço da sua caridade e a firmeza da sua esperança. O texto enfatiza o modelo de uma comunidade activa, mostrando que a fé autêntica deve traduzir-se em compromisso prático com o próximo, transformando as estruturas do mundo a partir do amor cristão.

No Evangelho segundo Mateus 22, 15-21, os fariseus e herodianos tentam encurralar Jesus com a pergunta sobre a licitude do imposto pago ao ocupante romano: «É lícito ou não pagar tributo a César?». O  objectivo dos dirigentes é surpreender alguma afirmação de Jesus que possa depois ser usada para uma condenação em tribunal. A questão trazida a Jesus era uma questão “armadilhada”. Se Jesus se pronunciasse a favor do pagamento do tributo, seria acusado de colaboracionismo e de defender a usurpação pelos romanos do poder que pertencia a Javé; mas se Jesus se pronunciasse contra o pagamento do imposto, seria acusado de rebelião contra Roma e, certamente, executado. Jesus pede para ver a moeda e, apontando para a efígie cunhada, responde: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». Jesus deixou claro que Deus tem de ser a nossa referência fundamental e deve estar em primeiro lugar nas nossas escolhas, nos nossos interesses e nas nossas preocupações. Jesus não prega a rebelião fiscal, nem a submissão cega ao Estado. Ao dizer isso, Ele reconhece que a autoridade civil tem o seu espaço na organização da sociedade. Contudo, o poder político é estritamente limitado e nunca pode exigir a adoração ou violar a dignidade humana. Se a moeda traz impressa a face de César, o ser humano traz impressa no seu coração a imagem e semelhança de Deus. O texto convida a uma conversão interior íntima: não podemos dar o nosso coração, a nossa consciência ou a nossa liberdade aos “Césares” modernos (ideologias, dinheiro, poder). Pertencemos única e exclusivamente ao Senhor.

Como este domingo coincide também com o dinamismo do Dia Mundial das Missões, a espiritualidade deste dia apela a que o cristão não viva uma fé isolada no templo. O discernimento correcto da Palavra deve colocar os fiéis com os “corações ardentes” e os “pés a caminho” para transformar as realidades temporais, anunciando que só Deus é o absoluto das nossas vidas.