Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria
LEITURA I – Ap 11,19a;12,1-6a.10ab; LEITURA II – 1 Cor 15,20-27; EVANGELHO – Lc 1,39-56
Etamos a celebrar a Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria, a qual ocorre no dia 15 de Agosto, em muitas igreja locais transferida para Domingo, que neste ano de 2025 é XX Domingo do Tempo Comum.
Qual é o conteúdo ou a mensagem desta grande solenidade? É a subida de Maria ao Céu em corpo e alma sustentada por anjos de Deus. Hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu… Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas. Como diz o Salmo Ela tem os favores de Deus e está associada para sempre à glória do seu Filho. Na Segunda Leitura Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens. E no Evangelho Ela já predisse que doravante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!
A Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão.
É sabido que o livro do Apocalipse foi composto no ambiente das perseguições que se abatiam sobre a jovem Igreja, ainda tão frágil. É assim que as visões do Apocalipse exprimem-se numa linguagem codificada. Elas revelam que Deus arranca os seus fiéis de todas as formas de morte. Como afirmam alguns entendidos em matérias da fé cristã, por transposição, a visão o sinal grandioso pode ser aplicada a Maria.
Procurando interpretar, a Mulher pode representar a Igreja, novo Israel. O seu nascimento é o do baptismo que deve dar à terra uma nova humanidade. O Dragão é o perseguidor, que põe tudo em acção para destruir este recém-nascido. Mas o destruidor não terá a última palavra, pois o poder de Deus está em acção para proteger o seu Filho. Com Assunção, queremos afirmar que reconhecemos que, no seguimento de Jesus e na pessoa de Maria, a nova humanidade já é acolhida junto de Deus.
Na passage da Segunda, o apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro Adão; este tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida.
Afirma um padre do Sagrado Coração de Jesus, Dehonianos, pela Visitação que teve lugar na Judeia, Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes, para o templo eterno, para uma Visitação definitiva. Nesta festa, com Maria, proclamamos a obra grandiosa de Deus, que chama a humanidade a se juntar a ele pelo caminho da ressurreição.
Em Maria, Ele já realizou a sua obra na totalidade; com ela, nós proclamamos: “dispersou os soberbos, exaltou os humildes”. Os humildes são aqueles que crêem no cumprimento das palavras de Deus e se põem a caminho, aqueles que acolhem até ao mais íntimo do seu ser a Vida nova, Cristo, para o levar ao nosso mundo. Deus debruça-se sobre eles e cumpre neles maravilhas.
Qual deve ser a nossa atitude? Rezar por Maria e não à Maria. Frequentemente, ouvimos a expressão: “rezar à Virgem Maria”… Esta maneira de falar não é correcta, porque a oração cristã dirige-se a Deus, ao Pai, ao Filho e ao Espírito: só Deus atende a oração.
Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: “Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!” A sua intervenção maternal em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa “advogada” e diz-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”
E rezar com Maria. Rezar com Maria, mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela acompanha-nos e guia-nos na nossa caminhada junto de Deus.