Leituras: 1: Zc 9,9-10; 2:Rm 8,9.11-13. Ev: MT 11,25-30.
Caros irmãos em Cristo. Estamos no XIV Domingo do tempo comum ano A, e o tema que vos proponho é este: Jesus é o único Rei e Salvador da humanidade.
Desde a veneranda antiguidade até aos dias de hoje, os soberanos das nações procuram apresentar-se, diante dos seus povos e dos demais, como soberanos justos e salvadores, prometendo justiça e paz sem presentes e duradoura, porém, nenhum deles conseguiu alcançar estes ideais com perfeição. Nos tempos que correm, era suposto que, com o grande avanço da ciência e da tecnologia fossem acompanhados pelo avanço da ética e da moral mas, os indicadores não são animadores, pelo contrário, o relativo bem estar que estes avanços proporcionam não é acompanhado pelo bem ser, pelo bem pensar e muito menos pelo bem agir. É verdade que alguns líderes das nações, cujo número não ultrapassa o do dos dedos das mãos de uma pessoa, procuraram ser excepção, mas infelizmente, o maior numero é daqueles que começaram prometendo aos seus povos um futuro risonho e, pouco depois, transformaram-se em ditadores e tiranos. Isto nos leva a concluir que, aos olhos de Deus , praticamente, todos os soberanos estão reprovados e desqualificados.
É na sequência desta desqualificação que o Pai, na plenitude dos tempos, tomou a decisão de enviar-nos o seu Filho, o único Rei justo e Salvador da humanidade. O que caracteriza este Rei é a justiça, porque Ele é manso e humilde de coração. A sua principal missão é a salvação, isto é, fazer com que todos os povos tenham paz, a verdadeira paz. Foi por isto que em Jo 14,27 disse aos seus ouvintes: ” Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. E não a dou como dá o mundo.” Por isso que, no lugar de construir e usar instrumentos de guerra Ele veio para destruí-los, ensinando-nos, assim, que a verdadeira paz não se alcança construindo, acumulando e usando instrumentos de morte aqui representados por carros de combate, cavalos de guerra, arcos e lanças mas, pelo contrário, ensinando a todos o amor a Deus, ao próximo, às demais coisas criadas e à nós mesmos.
E qual foi a resposta do homem diante da presença, dos ensinamentos e acções do Rei justo e Salvador enviado pelo Pai? A resposta dos seres humanos, principalmente dos sábios, dos inteligentes e dos poderosos não foi e, continua a não ser abonatória; estes não se alegraram nem rejubilaram à semelhança da filha se Sião; pelo contrário, ignoraram as Suas palavras usando a sua inteligência e sabedoria para construir armas muito mais letais; negaram tomar o jugo proposto pelo Filho de Deus porque, no seu entender, não lhes levava ao descanso das suas almas, não lhes conduzia à paz sonhada. As suas almas se sentem em paz e descansadas quando possuem uma ou centenas de bombas nucleares, isto gera concorrência. Que tamanha contradição!
E qual é a fórmula e o processo a usar para que a humanidade e seus soberanos possam sair desta situação? A fórmula está na aceitação da palavra de Deus apresentada pelo próprio Filho e pela sua Igreja. Esta palavra afirma sobre a necessidade de todos saírem do domínio da carne para passarem ao domínio do Espírito de Deus, tornando-se assim, habitação deste mesmo Espírito. Porque mesmo que se comprove terem recebido os sacramentos, enquanto não se abrirem ao Espírito para serem morada de Deus, nada adianta. São Paulo já falou disto ao dizer: ” Eu quero o bem mas acabo fazendo o mal que não quero, porque em mim habita o pecado.” Rm 7, 19-24. É um tremendo conflito. Pelo que, só aqueles que aceitam ser habitação do Espírito de Deus poderão sair das trevas da carne para a luz do Espírito Santo. Este é um processo que pode levar muito tempo e exige docilidade da nossa parte ao Espírito de Deus; esta docilidade só é possível imitando Cristo na mansidão e humildade de coração. Por isso que os pobres em espírito saem bem sucedidos. Pelo contrário, os que se acham ser sábios e inteligente, são impedidos ao acesso à sabedoria do Espírito porque dentro dos seus corações não há lugar para mais nada, a soberba ocupou tudo.
E agora, em que consiste a Salvação e a paz que o Rei justo e Salvador vem anunciar-nos? Tudo está nas últimas linhas do Santo Evangelho aonde Jesus disse: ” Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim que sou manso e humilde humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve.”
O papel da Igreja, enquanto aquela que representa Cristo na terra por meio dos Santos Evangelhos , é o de ensinar e testemunhar estas verdades todos os dias e em todos os âmbitos. Mas se, os seus membros, do mais pequeno até ao maior, estiverem numa situação de conflito, à semelhança do que Paulo experimentou e apresenta em Rm 7,19-24, o processo de saída da humanidade do domínio da carne para o domínio do Espírito de Deus, vai ser muito lento, porque os que deveriam servir de modelo são deficientes espiritiais, ou seja, lobos devoradores, sedentos de poder, de dinheiro etc etc. Contudo, aconteça o que acontecer, a justiça, a salvação e a paz anunciados pelo Rei justo e Salvador têm a última palavra.
A todos os que tiverem acesso a esta reflexão, pediria que se lembrassem do nosso irmão e Pastor, Bispo Dom Osório Afonso Citora que nos deixou rumo à casa do Pai, vítima dos que ainda não saíram do domínio da carne; rezemos por ele para que receba do Rei justo e Salvador a paz e a salvação eternas . Dai Senhor o eterno descanso à sua alma, porque ele procurou viver estas verdades.