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A imagem do «Reino» ilumina a Vida Cristã, através da boa semente

XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM – CICLO A

Primeira Let.: Sap. 12, 13.16-19; Sl. 85; Segunda Let.: Rm. 8, 26-27; Ev. Mt. 13,24-43

Deus é nosso Pai!!
Somos todos irmãos…

Saudações em Cristo Jesus.
Continuamos neste domingo a meditação do capítulo 13 do Evangelho de São Mateus que recolhe as “parábolas do Reino”. Nelas, o “Reino” é apresentado não como uma realidade futura, mas como uma realidade actual, presente aqui e agora em nossa história quotidiana e em nossos espaços geográficos, individuais, casas e famílias. Jesus conhece bem a alma humana; Conhece sua ilusão adormecida de omnipotência. Cada um de nós, embora as vezes não queiramos admitir, acredita que é melhor que os outros. Cada pessoa saberia como resolver um caso que angustia o outro. Cada família teria muitas coisas para ensinar a outras famílias… As vezes nos sentimos inatacáveis, sabemos tudo, como muitos deuses. «Serás como Deus…», prometeu o demónio aos nossos ancestrais Adão e Eva. As Leituras maravilhosas da liturgia, nos dizem para aceitarmos a nossa fragilidade pessoal, familiar e comunitária e nossa pobreza: não há pessoas ou comunidades perfeitas, nem um casal perfeito, ou uma sociedade perfeita.

A primeira leitura retirada do livro da Sabedoria, escrito em grego, por volta de 50 a.C, é o último livro do primeiro testamento. A pergunta é, por que o Senhor tem sido tão misericordioso com o Egipto e Canaã no Êxodo? conclusão: porque não há Deus fora de Deus. Sua força é o princípio da justiça, e o facto de ser o mestre de todos, os torna indulgentes com todos. Julga humildemente…!! Algumas vezes podemos transferir em Deus à nossa imagem e semelhança ao invés do contrário; nos imaginamos como um Deus semelhante a nós. Um Deus a quem chamamos, quando queremos que nos faça vencer batalhas, um Deus que amplifica nossas idéias, nossa maldade. Reduzimos Deus a um ser terrível que gosta de enviar para o inferno as pessoas; um Deus invisível e misterioso, instrumento de nossa vingança secreta. Infelizmente, existem muitos ateus dentro da Igreja. Em vez disso, o livro da Sabedoria diz que não há Deus fora de YHWH, que cuida de todas as coisas.

O salmo (85) nos diz que quando uma existência é feita de tribulações e tentações, o cristão encontra, no poder de Deus, a esperança de não ser abandonado a si mesmo: “Senhor, Deus de piedade… Deus fiel, olha para mim e Tenha piedade… “

A segunda leitura é retirada, mais uma vez, da carta de São Paulo aos Romanos. Nele, o apóstolo nos exorta a ter esperança no Espírito Santo, que louva insistentemente em nós com gemidos indizíveis e nos ensina a rezar como Deus quiser, para que o Reino de Deus circule em nós e na história. O Reino de Deus é como uma massa fermentada que cresce sem fazer barulho. A palavra do Senhor não deixa dúvidas: “o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, porque nem sabemos o que é conveniente pedir, mas o próprio Espírito intercede persistentemente por nós … (Rom 8,26). É quando somos fracos, somos fortes, também nos dizem para aceitar não apenas que em nossa comunidade há trigo e joio, mas que nossa própria comunidade é – ao mesmo tempo – trigo e joio, sagrados e pecadores. Aceitemos que um e outro, o trigo e o joio, crescem juntos, mesmo em nossas famílias.

O santo Evangelho da liturgia de hoje, nos oferece três parábolas. Elas antecipam a imagem do juízo final de Deus, que há-de vir e excluir definitivamente os pecadores. Nelas Jesus ensina a pedagogia do Pai: A Paciência. A paciência de Deus não é resignação, mas uma expectativa amorosa de todos virem à conversão e acolherem em seus corações o Reino de Deus. O cristão é chamado a ser paciente para anunciar o reino de perdão e conversão. Deus domina todas as coisas com o amor: Ele é manso, justo, paciente. Mostra sua força quando não acreditamos nas nossas próprias forças, precisamos aprender a amar: gaguejar palavras de amor, perdão e arrependimento. Quando procuramos o bem, percebemos a existência do mal. Originariamente a semente é bela e boa. O bem é e deve ser sempre o critério das nossas relações…

São Mateus expressa duas preocupações: uma teológica e outra pastoral. Numa comunidade de origem judaica, fortemente marcada pela pregação da sinagoga e pela pedagogia de Jesus, ela deve lidar com as tendências separatistas e puristas. A semente de Deus é a verdade, amizade, paz, alegria, justiça, confiança, esperança, liberdade e força. Aquela que foi semeada na calada da noite, é semente da mentira, infiltrada, adulterada, maldizente, egoísmo, desespero, etc.

Na parábola do joio e do trigo, cujas sementes se confundiram, o semeador as fez cair no campo arado, Jesus denuncia nossa pressa de purgar. O trigo e o joio cresceram juntos e o que o agricultor deve fazer é discernir o que é bom, perfeito, prestável, agradável e proveitoso a Deus. Esta parábola, mostra que existem duas sementes, dois semeadores, duas possibilidades, duas formas.
A parábola da semente do grão de mostarda também nos leva ao mesmo registro. Uma pequena semente faz uma grande árvore crescer. Será que somos este grão, gostamos de coisas pequenas e ocultas? Ou gostamos de grandes coisas, estar sempre do lado dos poderosos, possuidores, os vencedores deste mundo (celebridades). Esta é uma grande tentação pessoal, de grupo, paroquial, comunitária, para a nossa Igreja também. Que comunidade, Igreja queremos construir juntos? Uma Igreja visível, presente no mundo, como um navio que arrasta o mar através das tempestades, sem parar, ou uma pequena Igreja-semente, presente no mundo, sem se tornar mundana, sem ser do mundo, uma Igreja que não lida com os poderosos desta terra para ter benefícios de qualquer natureza. Quem confia na Palavra do Senhor, e sabe ser sal na comida é o fermento na massa.

Quem semeia o mal, a discórdia, a confusão, as dificuldades, os problemas no mundo é um “inimigo”. Quem é o inimigo? Pode ser é um membro da família ou um rival, as lutas, desavença, mentira, a indiferença, uma guerra, descriminação, racismo, insultos, acusações, desprezo mútuo, rancor e assédio para prejudicar o outro. O inimigo que vem a noite semear o joio, é o rival de Deus e do homem. O bem e o mal não são tão claramente identificáveis, por isso, refere-se à coexistência na comunidade de bons e outros maus. É difícil distinguir um do outro. É inevitável que o mal esteja presente no meio do bem, Cristo não veio para julgar e condenar, mas para oferecer a todos seu amor, sua vida. O bem e o mal são muito semelhantes… a diferença está os frutos que dão.

O mal deve ser sempre oportunidade de perdão e misericórdia. O mal existe e deve ser o modo de viver o máximo bem… o mal não pode ser potenciado, mas arrancado do meu de nós. O mal não é original, mas sim parasitário… o mal aparece sempre no escuro, durante o sono, na noite, na desatenção. O mal vem de algo externo, é uma surpresa que acontece.

Jesus fala do “forno ardente, onde haverá choro e ranger de dentes”. É uma imagem de desespero, equivalente a arrancar os cabelos, típico de alguém que percebe que fez tudo errado e mostra raiva por ter desperdiçado sua vida. O de Cristo não é um julgamento, é uma observação; aqueles que se recusam a amar perto da vida e apodrecer.

Desejo uma santa caminhada de vida cristã… Um abraço em Cristo Jesus!!