17° Domingo do Tempo Comum – Ano A
1Rs 3,5.7-12; Rm 8,28–30; Mt 13, 44-52
Concluindo o capítulo 13, dedicado às “parábolas do Reino”, o evangelista Mateus apresenta-nos mais três parábolas de Jesus para ilustrar o valor e a importância fundamental do reino dos Céus, como um novo mundo de liberdade e de nova vida que Ele veio propor à humanidade.
Sendo, na “parábola da Rede”, o reino dos Céus definido como uma realidade onde o mal e o bem prosperam simultaneamente, apelando-nos assim à misericordiosa paciência de Deus em dar ao homem o tempo necessário e suficiente para o amadurecimento e discernimento, nas parábolas “do tesouro” e “da pérola”, das imagens podemos enxergar um pobre agricultor e um rico negociante.
O agricultor, nas suas tarefas diárias, nunca esperaria ser abençoado por uma inesperada sorte entre os sítios pedregosos e os espinhos do campo alheio. Em vez disso, o comerciante passou uma vida inteira à procura de um objeto valioso que satisfizesse a sua sede de beleza e, sem desistir, percorre o mundo na esperança de encontrar o que procura. No entanto, para ambos, o resultado é o mesmo: a descoberta de algo precioso — o “tesouro escondido no campo para um, a pérola de grande valor para o outro.
Partilhando o mesmo sentimento, ou seja, a surpresa e a alegria de terem encontrado a realização de todos os seus desejos, não tiveram de pensar muito: agindo com sabedoria, tomaram decisões extremas ao ponto de comprometerem os seus bens preciosos, “foi vender tudo quanto possuía e comprou…”, um o campo, outro a pérola. Quanto sacrifício e paixão, quando nos deparamos com aquela que é a prioridade fundamental da vida!
Caríssimos, de facto, crescemos na vida não pela força de vontade, mas pela paixão, pois – como disse Jesus – “onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6,21), sim, o coração mostra os nossos sentimentos e o que realmente importa para nós, e assim agimos porque estamos apaixonados. Portanto, à descoberta segue-se o compromisso: o agricultor e o negociante vendem “todos” os seus haveres, por mais pouco que sejam, para ganhar “tudo”. Não perdem, mas investem. Não são melhores do que os outros, mas enriquecidos por terem encontrado um tesouro, uma pérola rara de esperança, de luz, do céu, do coração, terem encontrado o próprio Deus. Assim, se tornaram discípulos do reino dos Céus.
Não em vãos que “todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas”. Pois, o reino de Deus se torna presente na própria pessoa de Jesus. Ele é o tesouro escondido, Ele é a pérola de grande valor. Segui-Lo tem sido o propósito da nossa vida. E apesar das nossas fragilidades e imperfeições, sentimo-nos como um agricultor afortunado, um negociante rico. E isto não é vanglória, que fique claro, mas uma responsabilidade.
Assim, tal como o agricultor e negociante, somos chamados a manifestar a nossa alegria porque encontramos o reino dos Céus, encontramos Jesus, um sumo bem ao qual vale a pena dedicar toda a nossa vida. Por isso, apesar das tempestades diárias da vida, não devemos parecer mais tristes, sofredores, desolados, aparentando “ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa” (Papa Francisco, ex. ap. Evangelii gaudium, 6) ou com “uma cara de funeral” (Idem, 10). Tudo porque descobrimos o tesouro, a pérola de grande valor, o reino dos Céus, de onde derivam valores fundamentais como a paz, a esperança, a serenidade, a alegria e a harmonia.
Este entusiasmo ou alegria da descoberta, porém, não é inativo, mas ativo. Devemos colocar a pérola do reino acima de todos os outros bens terrenos; devemos colocar Deus em primeiro lugar nas nossas vidas, preferindo-O a tudo o resto. Dar primazia a Deus significa “saber distinguir o bem do mal” (1Rs 3,9), ter a coragem de dizer não ao mal, não à violência, em suma, não ao pecado, para viver uma vida de serviço aos outros.
Lembrem-se, caríssimos, Deus nos predestinou para sermos conformes à imagem do seu Filho (cfr. Rm 8,29). Assim, Deus torna-se para mim, para ti, em suma, para nós, também um tesouro e uma pérola, porque o Evangelho não é penitência, mas a força da vida; a fé não é renúncia, mas o sol que nos faz florescer por dentro. Por isso, o verdadeiro cristão não pode esconder a sua fé, pois ela deve transparecer em cada palavra, em cada gesto, mesmo nos mais simples e quotidianos: transparecer o amor que Deus nos deu através de Jesus. Oremos para que o seu reino de amor, justiça e paz se manifeste em nós e em todo o mundo.