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Vigiai com fé e confiança no Senhor

Irmãos e irmãs em Cristo,

Vivemos hoje num mundo onde tudo precisa ser “comprovado”, “visível”, “instantâneo”. Mas, Deus nos convida a uma fé que não depende de sinais imediatos, e sim da confiança naquele que promete. As leituras deste domingo nos convidam a refletir sobre a fé que sustenta, a esperança que guia e a vigilância que prepara. Estamos diante de uma profunda mensagem de confiança e prontidão diante das promessas de Deus.

O livro da Sabedoria (Sb 18, 6-9) relembra a noite libertadora do povo de Israel, quando Deus interveio com poder para libertar os seus da escravidão no Egito. Foi uma noite esperada com confiança pelos justos. Eles sabiam que Deus era fiel. Mesmo diante da opressão, alimentavam a esperança, porque tinham a promessa de que seriam libertos. Essa lembrança nos mostra que Deus é fiel à Sua palavra.

Ele cumpre suas promessas. E isso nos impulsiona a viver hoje com a mesma confiança. Essa mesma fidelidade de Deus sustenta a nossa história hoje.

Quantas vezes o Senhor já nos libertou? Quantas situações pareciam sem saída, e Deus interveio? Então, podemos compreender que a fé cristã se apoia não apenas em doutrinas, mas em uma história concreta de amor e fidelidade de Deus para com seu povo.

Quem conhece o que Deus já fez, tem coragem para confiar no que Ele ainda irá fazer.  A carta aos Hebreus (Hb11, 1-2.8-19) nos apresenta o exemplo de Abraão, pai da fé. Ele partiu sem saber para onde ia, confiando apenas em Deus. Ele acreditou, mesmo quando tudo parecia impossível — até mesmo quando lhe foi pedido o sacrifício do próprio filho, Isaac.  Aqui vemos que fé não é saber tudo, mas é confiar plenamente em Deus, mesmo no escuro. Abraão viveu como estrangeiro, como peregrino, porque buscava “uma pátria melhor”, a cidade que Deus prepara. Ele é exemplo de alguém que viveu com os olhos fixos no invisível, e é isso que somos chamados a fazer.

Ao longo do Evangelho, Jesus nos diz: “Não tenhais medo.” Essa é uma palavra de ternura e segurança. Deus quer nos dar o Reino! Mas, ao mesmo tempo, Jesus nos chama à vigilância: a estarmos com os rins cingidos e as lâmpadas acesas, como servos que esperam o Senhor voltar. Aqui, o chamado não é para um medo paralisante, mas para uma esperança ativa. Não basta crer — é preciso viver como quem espera o Senhor, fazendo o bem, administrando bem os dons que nos foram confiados, sendo fiéis na missão que recebemos. E Jesus é claro: a quem muito foi dado, muito será exigido. Não podemos brincar com o tempo, nem viver como se a vinda do Senhor fosse algo distante. O tempo presente é o momento de sermos vigilantes, generosos, e comprometidos com o Reino. Portanto, a vigilância cristã se vive no cotidiano: na fidelidade ao que Deus nos confiou, na caridade com os irmãos, no cuidado com o tempo, no uso generoso dos bens e na oração constante. Que Deus nos abençoe! Amen!