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Declaração final dos participantes do workshop da IMBISA sobre saúde mental para religiosos

A IMBISA realizou um workshop para religiosos e religiosas com foco na saúde mental e no auto-cuidado. Participaram do workshop 29 pessoas, provenientes de 8 países e 22 congregações da região da IMBISA; o evento ocorreu no Centro de Espiritualidade Padre Pio, em Pretória, África do Sul, de 31 de Agosto a 4 de Setembro de 2026. O seminário teve como objectivo conscientizar sobre a importância da saúde mental e incentivar as conferências episcopais locais e as congregações religiosas a fortalecerem seu trabalho nessa área, para o bem da Igreja.

O Padre Agostinho Maholele, CSS — sacerdote moçambicano da Congregação do Santíssimo Sacramento e psicólogo clínico formado pela Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique, e pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma — foi um dos dois especialistas que conduziram o workshop.

A Dra. Anthonia Bisola Otunla — profissional de saúde formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lagos, na Nigéria, e detentora de diversas pós-graduações — acompanhou o Pe. Agostinho na condução das apresentações; ela actua no Ministério Católico de Saúde Mental da Nigéria e é uma leiga engajada da Arquidiocese de Lagos.

Dra. Anthonia Otunla e Pe. Agostinho Maholele, CSS

O Pe. Maholele conduziu os participantes a uma releitura psicológica da *Laudato si’*, afirmando que o auto-cuidado é o combustível que permite que a nossa luz brilhe intensamente. “Uma lanterna vazia não emite luz”, disse ele. Ressaltou que a função mais importante do cuidado com a saúde mental é a qualidade de vida.

Em uma apresentação posterior, ele mostrou como o abuso de álcool é uma doença que, por vezes, não tem cura e nos afecta a ponto de tornar frágeis e fragmentadas a nossa vida e a nossa missão como religiosos. Apresentou os diversos tipos de tratamento disponíveis, mas alertou que se trata de uma doença para toda a vida, cuja cura se processa no dia a dia, exigindo imenso esforço pessoal e comunitário.

“Não há saúde sem saúde mental”, afirmou, incentivando os participantes a estarem atentos e a trabalharem para superar a incoerência que frequentemente existe entre o nosso “eu” real e o “eu” ideal da pessoa consagrada. Essa consciência não é necessária apenas na formação inicial, mas é especialmente importante na formação permanente, visando uma vida integrada e livre enquanto religiosos.

A Dra. Otunla ressaltou que a fadiga por compaixão — a exaustão emocional decorrente do cuidado com o próximo —, traumas não resolvidos, feridas do passado que nunca cicatrizaram e o acto de doar-se constantemente sem reposição de energias, somados a expectativas irreais e ao desejo de ser perfeito, estar sempre disponível e sempre alegre, podem levar à perda da própria identidade se não forem abordados à luz da conscientização sobre saúde mental. No entanto, enfrentar essas questões não é sinal de fé fraca, mas sim da condição humana. A fé e a saúde mental são aliadas, afirmou ela, e não inimigas. A saúde mental é parte integrante da dignidade humana. Ela citou São Paulo, dizendo que

“temos este tesouro em vasos de barro, para mostrar que o poder supremo pertence a Deus e não a nós” (2 Coríntios 4,7).

Como curadores feridos — e por sermos baptizados em Cristo —, ela demonstrou que nossas feridas podem se tornar fontes de cura, desde que permitamos que elas comecem a cicatrizar. Permitimos, assim, que as feridas sejam transformadas em compaixão. Ela citou Isaías 53,5, passagem em que o profeta diz:

“Ele foi ferido por nossas transgressões e moído por nossas iniquidades; sobre ele caiu o castigo que nos trouxe a paz, e pelas suas chagas fomos curados”.

A Dra. Otunla expressou a esperança de que, na região da IMBISA, construamos uma cultura de saúde mental apoiando e acompanhando uns aos outros constantemente.

Os grupos reflectiram sobre questões específicas apresentadas pelos palestrantes ao final de cada exposição, utilizando o método da “Conversação no Espírito”, em um ambiente de oração e escuta.

Um dos pequenos grupos de conversa no Espírito

Os participantes comprometeram-se a ser, para a região da IMBISA, luz do mundo e sal da terra, conscientes de que, enriquecidos pela experiência vivida ao longo da semana, levarão esperança às pessoas, com a certeza de que a esperança não decepciona. Afirmaram que levarão essa experiência para seus próprios contextos, compartilhando-a com seus bispos e superiores para conscientizá-los sobre a importância da saúde mental e do auto-cuidado. A saúde mental é uma tarefa urgente, disseram eles, acrescentando:

Comprometemo-nos com o auto-cuidado, ouvindo a nós mesmos, reservando tempo para o descanso e estabelecendo limites. Revisaremos nossas agendas e programas, eliminando ou reduzindo actividades, quando necessário, para abrir espaço para o descanso e exercícios físicos, cuidando de nós mesmos. Dessa forma, viveremos e lideraremos pelo exemplo.

O desejo de realizar formações  semelhantes nos diferentes países e dioceses foi manifestado repetidamente pelos participantes. O Director do Secretariado da IMBISA, Pe. Enrico Parry, comprometeu-se a levar aos bispos do Conselho Permanente o desejo dos participantes de que as conferências episcopais trabalhem juntas para estabelecer algum tipo de mecanismo regional que auxilie os esforços locais em prol da saúde mental.