Act 1, 1-11, Ef 1,17-23, Lc 24, 46-53
Caros irmãos e Irmãs, paz e bem em Jesus Cristo, que subiu aos Céus, Nossa Esperança!
Hoje estamos a celebrar a Solenidade da Ascensão do Senhor. Normalmente esta solenidade é caracterizada pelo tema da Missão. Mas hoje vamos fixar a nossa atenção no tema da Esperança sem perder a sua dimensão missionária. Por isso, a nossa reflexão será intitulada: “Olhos fixos na Esperança”. A Ascensão é a subida de Jesus ao Céu. Jesus deixa a terra e vai para o Pai, sobe ao Céu, mas não nos abandona, não nos deixa órfãos; Ele permanece entre nós, apenas mudou o modo de estar entre nós: «E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 29). A liturgia faz-nos perceber melhor esta ausência e presença do Senhor. Despois da Ascensão, retira-se o Círio pascal da vista de todos, significando, assim, a retirada de Cristo visível. Ele inicia a sua presença invisível, permanece visível de modo invisível. Jesus permanece connosco através da sua Palavra, Palavra que é vida e salvação e na vida sacramental. Permanece presente no íntimo dos corações (Hermes Ronchi). Esta solenidade é celebrada 40 dias depois da Páscoa, um período preparatório para uma importante missão. O número 40 faz-nos pensar nos 40 dias em que Moisés permaneceu no deserto (Ex. 34, 28), quarenta dias e quarenta noites em que Elias caminhou até chegar ao Horeb, o monte de Deus (1Rs 19, 8) e nos quarenta dias em que Jesus permaneceu no deserto (Lc 4,2). De facto, Jesus permaneceu no seio dos seus discípulos durante quarenta dias, preparando-os para uma grande missão: a de continuar agora, durante a sua ausência física, o projecto que o Pai lhe confiara, sendo suas testemunhas.
O tema da Esperança encontra-se claramente presente nos textos da Liturgia da Palavra hodierna: «[…] ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem lá o prometido do Pai […] do qual me ouvistes falar» (Act 1,4); «[…] sejam iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes que a esperança nos vem do chamamento […]» (Ef 1, 18); «[…] Entretanto, permanecei na cidade até serdes revestidos da força do Alto» (Lc 24, 49b). Para orientarmos melhor a nossa reflexão a respeito deste tema, vamos partilhar convosco dois aspectos fundamentais: uma esperança que não engana e missionários da esperança.
- Uma Esperança que não engana. Caríssimos irmãos e irmãs, como se pode ver, o tema da esperança percorre a liturgia da Palavra hodierna. Na Primeira Leitura e no Evangelho encontramos a recomendação dada aos apóstolos que permanecessem em Jerusalém a fim de receberem a força do Alto, o Espírito Santo. Permanecer aqui é sinonimo de esperar; de facto os apóstolos permaneceram, em Jerusalém, fixando os olhos fixos no céu (Act 1,10). Daí, o título da nossa reflexão: «olhos fixos na esperança». Dominados por um forte clima de medo e tristeza – pela ausência do Mestre – os Apóstolos não tinham outra escolha, senão fixar os olhos na esperança. O céu era a única esperança para que pudessem continuar a sua missão com coragem! Os olhos estavam fixos na esperança, uma esperança que não engana (Rm 5, 5). É com esta afirmação que o Papa Francisco, começa a bula de proclamação do ano jubilar 2025 (Bula nº1). Na verdade, os olhos fixos na esperança, não gerou engano, eles não ficaram defraudados! Eles permaneceram em Jerusalém e lá esperaram e realmente receberam a força do Espirito Santo. É o Espírito Santo, – afirmou o Papa Francisco – com a sua presença perene no caminho da Igreja, que irradia nos crentes a luz da esperança: mantém-na acesa como uma tocha que nunca se apaga, para dar apoio e vigor à nossa vida. Com efeito a esperança cristã não engana nem desilude, porque está fundada na certeza de que nada e ninguém poderá jamais separar-nos do amor divino: «Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? (Rm 8, 35.38-39) (Cfr. Bula, nº3). Os olhos fixos na esperança não geraram desilusão nos Apóstolos, pois estes ficaram cheios do Espirito Santo, ficaram capacitados para missão e partiram sem medo para anunciar o Evangelho da vida: «ide para o templo e anunciai ao povo a Palavra da vida» (At 5, 20). Mesmo intimados e proibidos de anunciar a Boa Nova da vida pelos príncipes dos sacerdotes, eles afirmaram corajosamente: «importa mais obedecer a Deus do que aos homens» (At. 5, 29).
- Missionários da Esperança. Amados irmãos e irmãos, o que é que esta solenidade da Ascensão tem a ver com a nossa vida cristã? O que é que a Palavra de Deus que acabamos de escutar quer nos dizer? Que ensinamentos a Liturgia de hoje quer nos dar? Ouvimos atrás que os Apóstolos estavam com os olhos fixos no céu, olhos fixos na esperança. Eles esperaram pela promessa feita pelo Senhor e a promessa foi realmente realizada: receberam o Paráclito, uma grande força que os lançou à missão, anunciando sem medo o Evangelho de vida, a Palavra da vida. Nós também somos chamados a assumir a atitude dos Apóstolos, temos de fixar os nossos olhos no céu; fixar os nossos olhos na esperança para que recebamos a força do Alto a fim de assumirmos e vivermos com alegria a nossa vocação cristã. Esta vocação é essencialmente missionária. Quem sairá para anunciar o Evangelho da vida àqueles que já perderam a esperança de viver? Somos nós, hoje e agora! Cada um de nós, baptizado, é filho da Igreja, pertence a esta comunidade evangelizadora, cuja natureza é missionária (AG, 2). Somos todos missionários pelo Baptismo. Devemos assumir a nossa vocação missionária, deixando-nos enviar pelo Senhor: ide e anunciai! Ide e reavivai a esperança naqueles que a perderam. Ide e reacendei a esperança naqueles que por diversos motivos perderam o sentido da vida. Esta é a nossa missão!
Hoje celebramos a Solenidade da Ascensão que é também o Dia Mundial das Comunicações Sociais. É um dos sectores aos quais somos chamados a evangelizar. Para este ano, o Papa Francisco escolheu como tema para Dia Mundial das Comunicações Sociais: Partilhai com mansidão a esperança que está nos vossos corações (cfr. 1Pd 3,15-16). O Santo Padre, saudoso Papa Francisco, na sua Mensagem para este dia, diz que precisamos de uma comunicação que gera esperança e não comunicação que gera medo e desespero, preconceitos e rancores, fanatismo e até mesmo ódio como acontece nos nossos dias. A comunicação hoje parece orientada para dar informações falsas ou distorcidas, enviar mensagens destinadas a exaltar os ânimos para provocar e ferir. Há uma grande necessidade de desarmar a comunicação, de a purificar da agressividade (Cfr. Mensagem do Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2025). A mensagem tem como destinatários primários os jornalistas, mas também é dirigida a cada um de nós, pois, somos todos comunicadores. Somos seres relacionais, somos seres comunicativos. Na nossa família, na Escola, no trabalho e noutros ambientes, comunicamos e nesses ambientes podemos também desencadear um estilo de comunicação desvirtualizada que não se interessa pela pessoa humana e a sua edificação. Somos convidados a pautar por uma comunicação que seja capaz de falar ao coração, atitudes de abertura e amizade; capaz de apostar na beleza e na esperança mesmo nas situações aparentemente mais desesperadas; de gerar empenho, empatia, interesse pelos outros. Uma comunicação que nos ajude a «reconhecer a dignidade de cada ser humano e a cuidar juntos da nossa casa comum» (Mensagem do Dia Mundial das Comunicacões sociais, 2025). Sendo todos nós fautores de comunicacão, escutemos com atenção o saudoso Papa Francisco: «Semeai sempre esperança, mesmo quando é difícil, quando custa, quando parece não dar frutos. Procurai praticar uma comunicação que saiba curar as feridas da nossa humanidade. Sede testemunhas e promotores de uma comunicação não hostil, que difunda uma cultura do cuidado, construa pontes e atravesse os muros visíveis e invisíveis do nosso tempo.Contai histórias imbuídas de esperança, tomando a peito o nosso destino comum e escrevendo juntos a história do nosso futuro» (Cfr. Mensagem do Dia Mundial das Comunicações sociais, 2025).
Amados irmãos e irmãs, como podemos ver, a missão dos Apóstolos é a missão de cada um de nós. Rezemos para que as comunicações sociais sejam lugares de difusão da Boa Nova da Esperança. Rezemos pelos jornalistas de todo mundo e de África em particular, para que possam informar as pessoas com verdade e amor, evitando tudo aquilo que incite violência e a destruição da dignidade da pessoa humana. Fixemos o nosso olhar na esperança e, por Intercessão de Maria Santíssima, nossa boa Mãe, sejamos autênticos missionários da esperança.