V DOMINGO DA QUARESMA-Ano C
1L Is 43,16-21; 2L Fil 3,8-14; Ev Jo 8,1-11
Estamos a celebrar o V Domingo da Quaresma do Ano C. A tónica das leituras convida-nos a à mudança, o que passa por mudar os nos esquemas mentais, abandonar o hábito de julgar o outro e adotarmos uma nova postura a apartir de exemplo de Jesus, como afirma Paulo na Segunda Leitura –‘Considero todas as coisas como prejuízo, perante a enorme vantagem de conhecer Cristo, Jesus, Senhor meu.’ Pois no Evangelho de hoje escutaremos as palavras imortais de Jesus em relação à mulher apanahada em adultério: ‘Quem não tiver pecado atire a primeira pedra’. Se calhar, mesmo nós sendo pecadores, pode ter nos acontecido atirar pedras de julgamento a outros.
Na primeira Leitura encontramos estas palavras-‘Não torneis a recordar os fatos de outrora, nem volteis a pensar nas coisas do passado. Olha! Vou fazer algo de novo: já começo a aparecer; não o notais? Vou abrir um caminho no deserto, lançar rios através da terra árida’. Um convite muito claro para a mudança, a abrir novas páginas da vida.
É evidente que esta primeira leitura contém a mensagem de esperança dirigida aos Judeus exilados na Babilónia. Hoje é para nós que provavelmente estamos à beira do desespero por causa de muitos males na nossa sociedade, facto que faz com que o mundo fraterno que o Papa Francisco, na Fratelli Tutti, nos exorta a construir, continue uma miragem.
O profeta assegura os Judeus exilados na Babilónia que haverá novo Êxodo. Esta mensagem de esperança deveria também inspirar-nos. Ainda mais no ano que celebramos o Jubileu e somos exortados a ser ‘peregrinos da Esperança’. A leitura prepara-nos para o Evangelho onde encontramos algo radicalmente novo que Deus fez por nós através de Jesus. Especificamente vemos o amor e compaixão de Deus em Jesus no tratamento de uma mulher pecadora.
Este Evangelho convida-nos também a abrir o horizonte. Pois aparentemente parece haver um pecado só involvido, o pecado de adultério. Mas há outros pecados e mais sérios ainda. Há o pecado horrível do modo como os Fariseus e Escribas trataram a mulher. Eles expuseram-na à mais humilhante vergonha-vergonha pública. Mostraram não terem a mínima consideração para com os seus sentimentos e nem para com a sua dignidade como pessoa. Ela era algo para ser usado para armadilhar Jesus. Como dizia um sábio, ela era para eles o que a minhoca é para o pescador. Pelo facto de a minhoca ser alegremente sacrificada na esperança de apanhar um peixe.
Outro pecado envolvido é em relação a atitude para com Jesus. Eles só tem uma meta, livar-se de Jesus. Pode se até dizer que eles já o assassinaram nas suas mentes.
É impressionante que apesar do modo como os Fariseus e Escribas humilharam a mulher e da atitude assassina em relação a ele, Jesus teve uma atitude maravilhosa para com eles. Não lhes condenou. Convidou-lhes a julgarem-se a eles mesmos, em vez de responder directamente à sua pergunta. Os peritos em matéria de textos bíblicos e litúrgicos acreditam que pôs-se a escrever no chão para lhes dar tempo para reflexão.
E que contraste há entre o modo como os Fariseus trataram a mulher e o modo como Jesus a tratou. Ele recusou condená-la. Corrigiu-a, mas o fez com gentileza. Alguém comparou a sua sua postura como de um bom cirurgião: a combinação de cortesia, gentileza e tenereza enqunto usa bisturi. A sua missão era de misericórdia e perdão, não julgamento e condenação. Ele não veio expor as feridas das pessoas, mas curá-las.
Jesus iluminou a neblusa cena com o brilho da sua compaixão. É uma grande lição para nós. É fácil condenar os outros. Devemos aprender a partir do exemplo de Jesus não condenar.Diz P. McCarthy, Sacerdote Salesiano, que o acto em si de condenar o outro envolve um pecado. Há com certeza tempo para corrigir o outro. Mas há uma arte em fazer isso. Consiste em ser totalmente gentil e totalmente honesto ao mesmo tempo.
Devemos olhar para nós mesmos. Devemos ter a vontade de extender para os outros a mesma compaixão que gostaríamos de receber se estivessemos envolvidos numa situação similar. Não há coisa mais importante na vida do que mostrar compaixão por um ser humano. Costuma-se dizer não faça ao outro o que não queres que te façam a ti.
Na perspectiva pastoral há uma lição a colher neste episódio.
A referência de qualquer acção pastoral é Jesus Cristo, Pastor por excelência. A atitude de Jesus não foi de condenação mas de correção com caridade e acolhimento. Com isso não se pretende dizer era de aprovação. Porque ele sempre condenou o pecado, porém, não o pecador. De acordo com os estudiosos em matérias de Sagrada Escritura (A. POPPI, 1997, 611), «Jesus não aprova a conduta desordenada da mulher, nem também pretende afirmar que um magistrado deva ser sem pecado para julgar. Todavia, não é de acordo com a severidade dos acusadores, que com o pretexto da aplicação da Lei não prestavam atenção o bem da pessoa. Além disso eles não tinham tomado em consideração a cumplicidade do homem, igualmente culpado. Jesus mesmo desaprovando o pecado da mulher, com uma atitude cheia de bondade faz recuperar à adúltera a sua dignidade e a endereça para a estrada da honestidade, ordenando-lhe de não pecar mais».