REFLEXÃO PARA O VI DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A
A liturgia do VI Domingo do Tempo da Páscoa convida-nos a dar testemunho de vida. O cristão, como seguidor do Crucificado, deve ter, na sua vida cotidiana, o amor aos outros como fundamento do seu agir. Cristo mostrou o Seu amor pela humanidade até à Cruz. Por conseguinte, a credibilidade do cristão assenta no amor, como expressão do amor de Cristo. Em outras palavras, é no amor e no testemunho de vida cristã que o crente se torna credível aos olhos do mundo.
A primeira leitura, retirada do Livro dos Actos dos Apóstolos 8, 5-8.14-17, mostra-nos o testemunho de vida das primeiras comunidades cristãs, através do qual muitas pessoas se convertiam ao cristianismo. O agir do cristão deve estar enraizado no amor de Deus, de modo que não exista dicotomia entre o anúncio da fé e a vivência cristã. A leitura convida-nos à comunhão entre os cristãos e a viver com uma atitude autenticamente cristã. Todo o nosso agir e o nosso ser cristão devem ser marcados pela humildade, pois a humildade não é própria dos fracos, mas daqueles que compreedem a lógica de Deus. Assim, a experiência da vida em Cristo é salvífica, e aqueles que vivem em espírito e verdade tornam-se testemunhas vivas do Envagelho.
A segunda leitura, retirada da Primeira Epístola de São Pedro 3, 15-18, convida-nos a dar razão da nossa esperança. São Pedro exorta-nos a permanecer em Cristo, mesmo nas adversidades, praticando o bem e evitando o mal. O Apóstolo afirma: «Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder, a quem quer que seja, sobre a razão da vossa esperança.» Contudo, insiste que ao dar razão da nossa esperança deve ser com «brandura e respeito, conservando uma boa consciência».
O Evangelho, retirado de São João 14, 15-21, apresenta a Jesus garantindo aos que acreditam n’Ele que não os deixará orfãos. E todo o Evangelho nos fala da necessidade de permanecer no amor de Cristo. Mas a condição para tal é viver o amor na verdade, na linha de Papa Bento XVI. Este é o caminho que Jesus propõe aos que O seguem. Assim, para dar razão à própria fé, como afirma a Primeira Epístola de São Pedro, é necessário permanecer no amor de Cristo, cumprindo os Seus mandamentos.
O mundo de hoje é marcado pelo consumismo, pela busca desenfreada do enriquecimento e pelo individualismo crescente. Permanecer no amor de Cristo e dar razões da própria esperança exige uma conversão contínua do coração. A comunhão entre os cristãos e a paz no mundo, só serão possíveis se os próprios cristãos procurarem viver, nas suas vidas, encarnando o amor de Cristo. Por isso, o cristão é chamado a amar como Jesus amou, fazendo do amor o fundamento do seu testemunho e da sua missão no mundo.