IV Domingo do Tempo de Quaresma – Ano A
1ª Leitura: 1Sam 16,1.4.6-7.10-13; Sal. 22; 2ª leitura: Ef 5: 8-14; Evangelho: Jo. 9.1-41
Saudações em Cristo Jesus, a todos e a todas!!
Deus é nosso Pai,
somos todos irmãos…
Estamos a viver o Quarto Domingo da Quaresma. A liturgia do terceiro domingo da Quaresma nos fez ouvir e meditar o diálogo que Jesus mantém com a mulher samaritana, um dos mais belos e profundos diálogos do evangelho, nos quais Jesus pede água e, por sua vez, dá água viva isso dá vida, e como eu dizia a vez passada, é um momento baptismal, para a samaritana. O presente da água é um símbolo da revelação de Jesus por si mesmo.
A liturgia deste Quarto Domingo convida-nos à alegria e ao júbilo, porque a nossa Mãe Igreja nos enche de consolação, redimidos por Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, nascido segundo a carne.
Este domingo é caracterizado por dois sinais catecumenais: “luz” e “óleo”, sinais recorrentes na liturgia baptismal, assim como “água” no domingo passado, para que o “Eu creio” seja proclamado com convicção durante a Vigília Pascal.
Na primeira leitura, tirada do primeiro livro de Samuel, somos lembrados de como o Senhor elege David como guia de seu povo. Deus escolhe o menor dos filhos de Jessé, aparentemente não serve para nada, mas apenas tem em mente os critérios de pobreza e humildade. O Senhor ordena que Samuel que encha seu chifre com óleo e vá a Jessé, porque ele quer escolher entre seus filhos o rei para o povo da sua herança. Samuel entra na casa de Jessé, que lhe apresenta seus sete filhos, mas o Senhor não escolhe nenhum deles; de facto, o Senhor diz a Samuel para não se fixar nas aparências, porque o Senhor vê o que está no coração de todos.
Nas relações internacionais, políticas, sociais, às vezes familiares, e na Igreja, principalmente hoje, olhamos sobretudo para as aparências, realizamos cursos para aparecer da melhor maneira, estudamos para aparecer, tomamos posições para parecermos bons, confiantes, queridos. As vezes deixamos de falar para não sermos conotados, ou o nosso modo de falar, o tom de voz, servem para convencer a plateia. A aparecia, é mascara, hipocrisia, fingimento. Deus não ama a aparência. Mesmo na vida quotidiana, talvez paremos mais no que nos impressiona com um rápido olhar, em vez de nos relacionarmos com o outro através de uma saudação, um sorriso, uma palavra gentil. Estamos mais atraídos por alguém com boa aparência, porque passou pelo salão de beleza, talvez porque será feito peticury ou manicury. Talvez bom para nós, é aquele que nos deixa fazer o que queremos e quando queremos. O verdadeiro encontro ocorre apenas quando vemos o rosto de Deus no irmão.
Do salmo 22/23, o refrão é tomado: “O Senhor é meu pastor, não me falta nada“, um dos salmos mais recitados e cantados em nossas liturgias. O Senhor, neste salmo, se torna o pastor do povo de Israel, mas também torna-se o Pastor de cada um de nós que não tem mais nada…, o nosso pastor é Deus. Deus já pediu que intensifiquemos mais a oração pessoal e familiar, que muitas vezes nos esquecemos de fazer, por causa da vida diária muito corrida; o salmo da liturgia de hoje era provavelmente estudado de cor pelos catecúmenos nos primórdios do cristianismo, pois contém os sinais típicos da iniciação cristã. A água do baptismo (águas tranquilas), o óleo do crisma (unge a minha cabeça com óleo), a mesa eucarística (prepara uma mesa diante de mim). O salmo narra o episódio da consagração de David como rei de Israel, por ordem de Deus: “Eu te ordeno que vás a Jessé, o belemita, porque escolhi um rei dentre os seus filhos.” Samuel, lembrando-se do padrão de acção de Deus: “Não me associo à aparência humana”, enche o seu corno de óleo e parte. Nenhum dos filhos de Jessé presentes em Belém naquele momento foi escolhido por Deus para ser ungido.
Na segunda leitura, extraída da carta de São Paulo aos Efésios, somos lembrados de que, pela luz que recebemos no baptismo, devemos nos comportar como filhos da luz: constantes na fé, cheias de bondade, justiça e verdade. Ele nos convida a não participar de obras das trevas, mas em tudo o que vem através da luz. Bonita e exigente a sentença final da carta que diz: “Acorda, você que dorme, ressuscite dentre os mortos e Cristo o iluminará!”. Acordemos e estejamos vigilantes, não vamos perder a fé, a confiança e o abandono em Deus que é Pai, que está sempre ao nosso lado. O texto proclamado, apresenta-nos a doutrina do baptismo e as consequências do seu aparecimento na Igreja. Não hesita em afirmar que todo aquele que se torna discípulo de Cristo passou das trevas para a luz: uma luz de que todos os baptizados são filhos, porque são testemunhas do filho do carpinteiro de Nazareth. Por isso, não podemos nem devemos adormecer, fingindo esquecer.
O São Evangelho que ouvimos conta-nos que Jesus, no contexto da festa judaica dos Tabernáculos, memória ainda viva do tempo passado no deserto, realiza um dos seus sinais: abre os olhos a um cego de nascença, utilizando a água do Tanque de Siloé (que significa enviado), ordenando ao cego… No trecho do Evangelho, o apóstolo São João propõe novamente o caminho da conversão que o cego de nascença faz através de sua cura por Jesus, a quem ele reconhece como Cristo. Neste excerto, identificamos o catecismo dos novos catecúmenos: são convidados a reconhecer Jesus como enviado pelo Pai; finalmente será reconhecido como o “Senhor!”. O texto descreve ainda dois tipos de cegueira: uma cegueira natural e uma cegueira intelectual (a dos fariseus), que persistem na cegueira porque se recusam a reconhecer o “Enviado de Deus” que é também a “Luz do mundo”. Hoje, Jesus é apresentado a nós como uma luz que ilumina a jornada de toda pessoa baptizada e, através do milagre da cura do homem nascido cego, por que Cristo é nossa luz e é Revelado a nós.
A luz que recebemos no baptismo nos faz passar da morte para a vida de graça. Jesus viu um mendigo cego de nascença e teve compaixão dele. Os discípulos perguntaram a Jesus quem havia pecado, ele ou seus pais, porque ele nasceu cego. Jesus responde com a sabedoria do Alto… e a obediência fez milagres (lavar-se os seus olhos conseguiu abrir-se para a luz) e naquele momento ele também tinha uma força que lhe permitiu reconhecer Jesus como o Cristo. Todos nós precisamos da luz para vermos como as coisas tal como elas são… Abrir os olhos, significa ressurgir para a visa nova; Cristo como luz do mundo, vem nesta quaresma para elevar o nosso olhar, o nosso coração e a nossa vida… para vermos Deus. E a fé é ver, conhecer, revelar, luz, não é cega, é luz que nos faz ver que Deus é Pai, nós somos todos os irmãos e somos filhos, que entram na vida nova. Jesus nos cura e abre os olhos para não vermos as nossas projecções sobre os outros, mas a realidade assim como ela é. Quando Jesus o encontrou, perguntou ao cego: “Você acredita no Filho do homem?” Com esta cura Jesus, manifesta que quem não acolhe a luz vai para morte e a escravidão, mas quem acolhe a luz, vai para o bem, para a felicidade. O milagre do cego, é renascer para a vida nova, à luz, é uma cura para a nossa vida espiritual, significa não saber para onde ir, como caminhar. Por isso, somos cegos quando não percebermos que somos imagem e semelhança de Deus, quando não nos percebemos a nossa identidade e o sentido da vida; da nossa vocação e missão. Somos cegos quando não sabemos perceber a chegada de Jesus que nos ilumina.
Desejo a todos um santo Domingo do Laetare (alegria), alegria de rezar em casa, em família, pela paz no mundo, pela reconciliação; vigie e reze como Igreja domestica onde a família trinitária quer habitar. Durante as missas tenha a certeza que estarei a colocar o seu nome na patena e no cálice para a sua santificação… Vos abençoo sacerdotalmente, em nome do Pai, do Filho e Espirito Santo…