II Domingo do Tempo Comum – 18/1/2026
Antes de comentarmos os textos sagrados, permitam-me que vos saúde, desejando-vos feliz ano novo!
Em Angola, estamos alegres com o anúncio da visita do Santo Padre, o Papa Leão XIV a Angola, na sua primeira viagem apostólica a África.
Agora, olhando para os textos, na primeira leitura, extraída do livro do profeta Isaías (cap. 49,3.5-6), o profeta fala-nos a partir do exílio na Babilónia, onde alimenta a esperança da libertação dos cativos, dos oprimidos, dos escravizados, dos deportados e poderem voltar à sua terra, à sua pátria, às suas origens. A mesma libertação viria de um servo de Javé que tem a missão de levar de volta o povo de Deus à sua terra natal. Entretanto, a missão libertadora do servo de Javé não se confina ao povo de Israel, mas para todas as nações. Ele é o executor da vontade soberana de Deus que o capacita e o orienta para libertar o povo da opressão, da escravidão, a fim de que a salvação chegue até aos confins da terra.
Já na segunda leitura (1Cor. 1,1-3), notamos que Paulo faz hoje uma introdução à sua carta dirigida à comunidade de Corinto. Ele próprio evangelizou Corinto durante um ano e meio, fundando aí comunidades cristãs (Act. 18,1-17), compostas por judeus e pagãos. A maioria dos membros dessas comunidades era pobre (1Cor. 1,26). Com esta dedicatória introdutória, todos sentimo-nos destinatários da carta, da qual somos convidados a ler e viver como portadores da mensagem de salvação para a humanidade.
Finalmente, o evangelho foi tirado de São João (cap. 1,29-34), onde o apóstolo apresenta a identidade de Cristo Jesus, pelo testemunho de João Baptista contido no versículo 29: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, e se prolonga no versículo 34, quando João afirma: “E eu tenho visto e dado testemunho de que Ele é o Filho de Deus”. A lógica do encontro com Jesus se verifica no encontro fraterno e solidário dos irmãos e irmãs, sobretudo dos mais carentes, dos mais pobres que estão identificados nas nossas comunidades pastorais. Portanto, sem ignorar nem manipular a identidade e missão da Igreja no mundo, nós cristãos somos chamados a encontrar os meios mais adequados e adaptados à realidade, para testemunhar e viver o Evangelho na prática. Uma vez Jesus baptizado e ungido por Deus, torna-se na figura do Servo de Javé relatado na primeira leitura e o Cordeiro que tira o pecado do mundo, conforme apresentado e testemunhado por João Baptista no Evangelho.
Terminando a nossa reflexão, diria que, somos convidados hoje a sermos as testemunhas vivas de Cristo Jesus, libertando a sociedade de todas as novas e actuais formas de opressão que continuam escravizando o ser humano. Deus nos abençoe!