BATISMO DE JESUS
Na festa do Batismo do Senhor, ano A, a liturgia da Palavra faz-se eco da voz de Deus. Se na primeira leitura Deus apresenta o seu Filho dizendo: «Eis o meu servo, a quem eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma», no Evangelho de Mateus afirma: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».
São Mateus descreve como Jesus se coloca na fila com os pecadores para ser batizado com eles. João reconhece-o como o Messias e quer impedi-lo… Mas Jesus afirma: «Deixa por agora, convém que assim cumpramos toda a justiça». Jesus é apresentado como aquele que cumpre a profecia de Isaías. De facto, no Novo Testamento, Jesus é o Cristo porque só ele cumpre as numerosas profecias do Antigo Testamento referidas ao Messias.
Ele é o Messias porque cumpre «toda a justiça». O que significa cumprir «toda a justiça»? No contexto bíblico, justiça significa estabelecer relações corretas de acordo com o projeto de Deus; relações de fraternidade, de equidade; laços que geram vida. Ao ser batizado, Jesus quer comunicar a sua solidariedade com a humanidade, quer estabelecer relações de fraternidade e de equidade com os seus irmãos. De facto, imediatamente após o batismo, Jesus sai da água e «abriram-se os céus para Ele »: esta expressão vem da linguagem apocalíptica e indica a comunicação de Deus com a humanidade. É uma experiência íntima («para ele»), não visível a todos, na qual Jesus sente o Espírito de Deus descer sobre ele. Ou seja, sente dentro de si toda a força do amor de Deus. Ele estabelecerá o direito na terra, libertará os prisioneiros da prisão, os que habitam nas trevas do confinamento.
Jesus cumpre essa justiça ao deixar-se batizar e, por isso, os céus se abriram para ele; ele viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre ele; ouviu a voz do céu que dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência». Jesus será o Messias que, com os seus gestos e as suas escolhas, realizará o projeto do Pai. O Pai, por sua vez, confirma o seu amor total pelo Filho amado e a sua satisfação pela obediência de Jesus, que inicia a sua missão pública. O céu que se abre indica que, com Jesus, o diálogo da salvação entre Deus e a humanidade recomeça e nunca mais se encerra.
Com o batismo de Jesus, começa uma nova era para a humanidade: aquela em que o Filho de Deus atuará na história. Tudo o que Jesus realizará ao longo do seu ministério será muito importante, porque será feito pelo próprio Filho de Deus. Uma nova era começou sob o poder de Deus e nela todos os planos de Deus serão realizados. Será uma era de fraternidade, porque em Jesus somos todos irmãos: Ele, o Filho de Deus, tornou-se irmão de cada homem imerso nas águas do pecado, de cada homem ungido pelo Espírito, de cada homem que ouviu dizer «tu és meu filho».
Batismo de Jesus está intimamente ligado ao nosso, Jesus assume as nossas necessidades. De nós, que somos mendigos do amor de Deus, nosso Pai. Também tu e eu podemos imitar Jesus, sair e assumir as necessidades dos outros, «é também assim que podemos elevar os outros: não julgando, não sugerindo o que fazer, mas aproximando-nos, compartilhando, compartilhando o amor de Deus».
O discípulo missionário é chamado a imitar Cristo e uma forma concreta de o fazer é ocupar-nos das necessidades dos outros e não tanto das nossas. «Sair de nós mesmos, olhar para o necessitado, que precisa da nossa atenção, do nosso tempo, do nosso sorriso, etc. Imitemos Cristo, levantando o olhar para o próximo. Este é o caminho da verdadeira felicidade, porque «há mais felicidade em dar do que em receber» (cf. Atos 20,35).