General

“TEUS FILHOS SERÃO COMO RAMOS DE OLIVEIRA, AO REDOR DA TUA MESA” (Sl 127,3)

Partilha da Palavra de Deus do Domingo da Sagrada Família

(4º Dia da Oitava do Natal)

ANO A

28/12/2025

I Leitura: Sir 3,3-7.14-17a

Em Moçambique, por volta de 1980, anos do fervor revolucionário, para justificar a celebração do dia 25 de Dezembro, em vez de “Dia de Natal”, chegou-se a chamar de “Festa da Família”. Ora, para nós cristãos católicos, a festa litúrgica da Sagrada Família decorre no Domingo a seguir ao Natal do Senhor, inserida dentro da Oitava do Natal, em referência à Família de Jesus, Maria e José, como modelo de uma família cristã.

A primeira leitura deste Domingo é retirada do Livro de Ben-Sira que faz parte do grupo dos livros sapienciais. Sabido que este grupo de livros privilegia a transmissão de conselhos sobretudo de pais para filhos para o seu sucesso na vida familiar e na vida social e política, neste Domingo o autor não foge à regra: Fazendo eco do Decálogo em Ex 20,12, o autor explicita as diversas maneiras de honrar tanto ao pai como a mãe (obedecendo-lhes, amparando-lhes/sendo-lhes indulgente, entre outras) e as bênçãos que daí derivam: obtenção do perdão dos pecados, vida longa, caridade com o pai que não será esquecida na posteridade.

No texto, está subjacente a ideia de que quem é filho hoje, se honrar os seus pais poderá ter vida longa e desse modo, será o pai de amanhã e receberá o respeito de seus filhos da mesma maneira que ele reservou as honras para os seus pais (cfr. Ef 6,2-3; 1Tm 5,4).

II leitura: Col 3,12-21

Com um fundamento mais elaborado, neste trecho, a Col inicia por convidar para um comportamento que deve ser assumido por qualquer membro da comunidade, especialmente “se alguém tiver razão de queixa contra o outro” (Col 3,13). O fundamento para o perdão é o próprio Senhor que nos perdoou (3,13) daí a necessidade de agir na caridade que deve ser o vínculo da perfeição (cfr. Col 3,14). A partir daqui Paulo vai falar do empenho de cada membro de uma família para que verdadeiramente possa ser uma família cristã: às mulheres pede que sejam submissas; aos homens que amem às mulheres e aos filhos que estes obedeçam aos pais. Neste quadro assim desenhado, não há espaço para machismo, como tantas vezes se disse deste texto e de Ef 5,22, antes pelo contrário, uma complementaridade de afecto e actividades dentro da mesma família de modo que cada membro dessa família faça o seu melhor para a harmonia familiar. Mais do que uma submissão da mulher ao marido, é sim submissão da mulher ao “amor do marido” que aí se faz referência. O paralelo de Col 3,18 e Ef 5,21.27 é significativo e esclarecedor onde, neste segundo texto, depois de convite a que os cônjuges sejam submissos uns aos outros, já no v.27 se ordena ao homem a que preserve a esposa e a apresente sem mancha, como Cristo fez com a sua Igreja.

Evangelho: Mt 2,13-15.19-23

Inserido no chamado “Evangelho da infância”, a passagem deste Domingo sublinha o papel de José, pai adoptivo do Menino Jesus, na protecção de toda a família, especialmente na protecção do Menino acabado de nascer, sob as ordens de Deus. Dados históricos extra-bíblicos, confirmam a existência de Herodes Arquelau que substituiu como Etnarca seu pai Herodes, apelidado “O Grande”, após a morte deste. O seu reinado foi de 4 a.C a 6 d.C, altura em que foi deposto por Imperador romano Augusto e exilado com acusações de tirania. Humanamente falando, tinha a sagrada família de temer tanto de Herodes pai, como de Herodes filho mas o mais relevante é o aspecto teológico que Mateus, que escreve sobretudo para um público judaico, pretende sublinhar: que assim como Moisés esteve no Egipto, Jesus, o “Novo Moisés”, tinha que fazer o seu “Êxodo” em direcção à terra prometida.

A Palavra de Deus apresenta-nos a família de Nazaré como modelo de família cristã, guiada pela Palavra de Deus e pelos princípios de amor, complementaridade e paz de Deus.