II DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO ANO A
1L Is 11, 1-10;
Sl 71 (72), 2. 7-8. 12-13. 17
2L Rm 15, 4-9
Ev Mt 3, 1-12
Seja louvado o nosso Senhor Jesus Cristo!
Amados irmãos e irmãs em Cristo,
Neste II Domingo do Advento, a Liturgia dá-nos um tempo, uma mensagem especial de preparação para a vinda do Senhor. É tempo de esperança, de conversão e de renovação, no qual somos chamados para abrir os nossos corações para acolher o Salvador, o Emanuel. As leituras deste domingo convidam-nos a refletir sobre o Reino de Deus, sobre a justiça divina e sobre a necessidade de nós prepararmo-nos para a chegada do Messias.
Na profecia de Isaías, primeira leitura, cap. 11, vers.1-10, podemos contemplar o belíssimo anuncio do nascimento de um descendente de Jessé, pai de David. Este “rebento” que brota do tronco de Jessé é uma clara referência ao Messias, Jesus Cristo. Será Ele pleno do Espírito do Senhor, espírito de sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência e temor de Deus. Ele é e será sempre o Rei que governará com justiça e equidade, trazendo paz e harmonia para todos os povos.
Meus irmãos, toda promessa transborda de esperança, ora, quanta esperança nos enche com essa profecia de Isaías, nós que vivemos num mundo marcado por desigualdades, divisões, injustiças e conflitos cada vez maiores. Nas suas últimas mensagens ao mundo Papa Francisco gritava pela unidade, harmonia e paz: “Que o princípio da humanidade nunca deixe de ser o eixo do nosso agir quotidiano. Perante a crueldade dos conflitos que atingem civis indefesos, atacam escolas e hospitais e agentes humanitários, não podemos esquecer que não são atingidos alvos, mas pessoas com alma e dignidade.”, como alias sempre foi sua preocupação já demonstrada desde 2014, quando se referia ao mundo numa terceira guerra aos pedaços, se juntando gradualmente[1].
Podemos pensar que estes são problemas alheios, mas pensemos especialmente em São Tomé e Príncipe e todos da IMBISA, países de rica história e fé vibrante, vivemos tempos difíceis onde, sem precedentes assistimos violências e mortes, divisões e desentendimento, falimento de sociedade aparentemente construídas, fome e doenças, enfim deslocados sem esperanças. Que sejamos sinais vivos dessa paz anunciada por Isaías, promovendo a reconciliação e a unidade. Os baptizados, os fiéis, são chamados a confiar na promessa de Deus: o Pai enviará Aquele que estabelecerá um Reino de paz e de justiça. “Quem crê tem a vida eterna: o Seu Reino não é apenas uma realidade futura; a vinda de Jesus ao mundo, como nos ensina a segunda leitura foi para instaurar o Reino que continua a se manifestar por meio da acção da Igreja e da nossa vida cristã.
No salmo responsorial (Sl 71), clamamos: ” Nos dias do Senhor nascerá a justiça e a paz para sempre!” Este dia chega com o nascimento do Filho no Mundo, por isso, precisamos viver segundo os valores deste Reino. Somos chamados a ser instrumentos da justiça e da paz no mundo, especialmente cuidando dos mais vulneráveis, como a Igreja, nossa mãe, insistentemente nos ensina.
Voltando meu olhar ao Evangelho, transmitido por São Mateus (3, 1-12), recomendo-vos a comtemplar a figura de João Batista, o precursor, vestido de pele de animais a ser ouvido e venerado por grandes do reino e por todo povo. A mensagem é simples, clara e poderosa: o Reino chegou até nós, «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas».
Quem é o Senhor, que Caminho precisa, se até César anda por aqueles caminhos? Resposta: ” «Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus». «Convertei-vos». É um chamado à mudança de vida, à preparação dos corações para acolher o Salvador.
São João Batista não tinha medo da verdade. Denunciava os pecados e exortava à penitência. No entanto, aos fariseus e saduceus advertiu severamente, dizendo algo que a nós cristãos, os povos de hoje, se encaixa perfeitamente: É preciso que a nossa conversão prove a nossa fé, que não seja uma conversão exterior e estéril; não basta dizer que somos cristãos ou participar das celebrações litúrgicas, muito menos andar por aí com bíblias debaixo dos braços, se a nossa vida não for testemunho da nossa fé de nada nos vale. Devemos produzir frutos de amor, justiça e misericórdia: “Praticai ações que se conformem ao arrependimento que manifestais. … O machado já está posto à raiz das árvores. Por isso, toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo.”
Por isso na segunda leitura (Rm 15, 4-9), São Paulo exorta-nos a perseverar na esperança e na unidade, na verdadeira conversão. As Escrituras devem ensinar-nos e fortalecer nossa fé. E essa fé, segundo Senhor Jesus, implica acolhermo-nos uns aos outros como Cristo nos acolheu, para que possamos glorificar a Deus em unidade. Caríssimos irmãos somos chamados à comunhão e à fraternidade entre os cristãos e com todos os homens. No meio de tantas divisões e busca pelo poder, fama e «primeiro lugar», até mesmo dentro das famílias e da Igreja, devemos nos esforçar para re-construir pontes e viver como uma verdadeira família em Cristo.
Recordemos os ensinamentos dos Santos Padres da Igreja, como Santo Agostinho e São João Crisóstomo, que nos ensinaram a importância da unidade no Corpo de Cristo. Vamos aprender o que é viver na simplicidade e a buscar sempre a harmonia e o amor fraterno, ao sermos baptizados no fogo do Espírito, conforme a promessa do Profeta.
Meus queridos irmãos e irmãs, o Advento é um tempo propício para examinarmos nossa vida e nos perguntarmos: estou realmente preparado para acolher Jesus? Estou a viver como cidadão do Reino dos Céus e concidadão dos Santos? Estou a produzir frutos dignos de conversão? O Santo, João Batista lembra-nos que o Senhor virá com sua pá na mão para limpar sua eira. Uma ideia que nos chama atenção para levar a sério a nossa conversão, pois um dia vamos prestar contas diante de Deus. O Papa Bento XVI nos lembra que “a conversão consiste em mudar direcção, ou seja, caminhar para Cristo.”
Amados de Cristo, neste Advento, vivamos com vigilância e esperança.
Que possamos abrir nosso coração ao Espírito Santo, permitindo que Ele nos transforme, nos converta e nos prepare para acolher Jesus com alegria. Peçamos a intercessão da Virgem Maria, Mãe das Neves e Mãe do mundo, para que ela nos ajude a preparar nossos corações para acolher Jesus com alegria e amor. Sigamos o seu exemplo que disse “sim” ao plano de Deus com total confiança e entrega.
Este Advento seja, para mim e para ti, tempo de renovação espiritual e compromisso com o Reino de Deus. Purificados pelo fogo do Espírito Santo e acolhido no Celeiro do Reino, possamos caminhar juntos como irmãos, testemunhando ao mundo o amor e a paz que vêm do Senhor. E que ao celebrarmos o Natal deste ano, possamos dizer com sinceridade: “Vem Senhor Jesus, vem! Meu coração está preparado para te receber!” Vem morar no meu coração.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Para sempre seja louvado! Amém!
[1] https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2025-05/papa-francisco-guerra-rearmamento-tornielli-mundo-politica.html