Meses de preparação, uma nação em movimento
A III Jornada Nacional da Juventude (JNJ) começou muito antes do dia 3 de Dezembro de 2025. Durante meses, dioceses de todo o país empenharam-se em organizar caravanas, formações espirituais, recolhas de fundos e encontros preparatórios que aqueceram o coração da juventude católica moçambicana. Do norte ao sul, o entusiasmo foi crescendo, alimentado pela memória das edições anteriores: a I JNJ em Chimoio (não temas, Maria , encontrastes graça diante de Deus (LC 1,30), e a II JNJ em Nampula (Encontramos o Messias ( Jo 1,41).
Vindos de todos os cantos do país, os jovens enfrentaram longas distâncias para chegar a Maputo — alguns percorrendo mais de mil quilómetros de estrada, em viagens marcadas por calor, poeira, paragens breves e muitas canções. Para muitos grupos, a jornada começou ainda de madrugada, dias antes da abertura oficial, numa verdadeira peregrinação que revelou não apenas resistência física, mas sobretudo um profundo entusiasmo espiritual. Cada quilómetro percorrido tornou-se expressão concreta de fé, pertença e esperança, compondo uma das mais belas demonstrações de união da juventude católica moçambicana.
Desfile das Delegações
O ambiente transformou-se totalmente com a chegada dos primeiros grupos. Cánticos, danças, símbolos diocesanos e bandeiras coloriram a capital, culminando com o desfile oficial das dioceses, na Sé Catedral de Maputo, na tarde do dia 03, transformando-se num dos momentos mais vibrantes da abertura. Entre passos firmes e muita alegria, os jovens mostraram a diversidade e a vitalidade da Igreja Católica em Moçambique, numa celebração que uniu tradições, línguas e espiritualidade. O momento, registado em fotografias vibrantes, ficará marcado como um dos instantes mais emocionantes do encontro.
Missa de Abertura: “Jovens, Deus confia em vós!”, Enfatiza Dom Carlos
A celebração de abertura, presidida por Dom João Carlos, Arcebispo de Maputo e Presidente do COL, foi o ponto alto do primeiro dia. Na sua homilia, Dom Carlos declarou: “Hoje Maputo torna-se um grande cenáculo, porque recebe jovens vindos de todas as dioceses de Moçambique.”
Dirigindo-se especialmente aos jovens, o Arcebispo sublinhou que um coração que encontra Cristo transforma-se — e quer transformar o mundo. Chamou-os a viverem a missão com três atitudes essenciais: proximidade, compaixão e escuta.
Encorajando a juventude, afirmou ainda: “Hoje o Senhor envia-vos. Talvez vos sintais pequenos, mas sois grandes aos olhos de Deus — porque Ele confia em vós.”
Inspirado em São Francisco Xavier, padroeiro das missões e cuja festa assinalava o dia, Dom Carlos lembrou que a fé é alegria, a missão é festa, e dar-se não é perder tempo: é ganhar vida.
Concluiu desafiando os jovens a levarem, ao longo da Jornada, alegria onde houver tristeza e perdão onde houver ferida, dizendo que Moçambique precisa do seu entusiasmo e coragem. “Que esta Jornada seja para cada um de vós um verdadeiro Pentecostes.”
Bispos ao Lado da Juventude
Os Bispos da Conferência Episcopal de Moçambique também marcaram presença na cerimónia de abertura. Dom Tonito, Bispo Auxiliar de Maputo, destacou a presença da CEM: “Somos acompanhados por todos os Bispos da CEM, hoje reunidos em sessão plenária.”
Foram também destacadas as autoridades do Estado, incluindo a representação do Presidente da República, Daniel Chapo, pelo Ministro da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse. Referindo-se às três edições da Jornada, Dom Tonito sublinhou: “A história da JNJ é fruto de fé, coragem e determinação. Esta III Jornada nasce de sacrifícios, viagens longas, noites mal dormidas e renúncias generosas.”
E concluiu com força: “Com as autoridades e as 13 delegações aqui presentes, queremos proclamar que a esperança não engana.”
Uma Jornada que marca gerações
A III JNJ abre assim um novo capítulo na história da juventude católica moçambicana: vibrante, comprometida, missionária e consciente do seu papel na Igreja e no país.
Entre celebrações, catequeses, convívio e momentos culturais, a juventude vive dias de encontro, escuta e renovação espiritual — levando ao mundo o eco de um lema que ganha vida em cada passo desta caminhada: “A esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações.” (Rm 5,5)

