XXX Domingo do tempo comum
Caros irmãos em Cristo. Estamos no XXX Domingo do tempo comum ano C. Neste domingo somos chamados a aprender sobre a justiça de Deus de modo a que participando desta justiça possamos viver como pessoas justas; deste modo, voltaremos a ser verdadeiros filhos de Deus, capazes de colocar a Ele acima de tudo e de todos e, a tratar o nosso semelhante como a nós mesmos. Mas o que é ter fé em Deus? Para mim, ter fé em Deus consiste na progressiva convicção de espírito de que Deus É e, age na nossa vida concorrendo em tudo para a nossa perfeição e felicidade, num claro retorno à condição primeira para a qual Ele nos criou. Trata-se de um processo que vai crescendo à medida que nos abrimos à Sua vontade com sinceridade de coração até atingirmos ao estágio de perfeição plena. Assim, quer dizer que, a qualidade da nossa justiça corresponderá sempre ao tamanho da nossa fé. Se eventualmente a nossa fé se mostrar fraca, a nossa participação da justiça de Deus também será fraca.
Mas como se manifesta esta justiça que nós, pela fé, somos chamados a participar? A primeira leitura tirada de Eclo 35,15b-17.20-22a diz-nos o seguinte: “O Senhor é um Juiz que não faz acepção de pessoas.” E, em que consiste não fazer acepção de pessoas?
- Não favorece a ninguém em prejuízo do pobre;
- Atende a prece do oprimido;
- Não despreza a súplica do órfão e da viúva;
- Quem adora a Ele, a sua prece chega à Sua presença e encontra resposta.
É a isto que todos nós somos chamados a pôr em prática na relação com os nossos semelhantes. Por outra, devemos começar, desde já, a produzir juízos imparciais, a atender também o clamor dos pequenos, dos pobres, dos que sofrem e dos desprotegidos.
Tudo isto constitui um desafio enorme para todos e para cada um de nós individualmente. Convictos desta exigência importa, então, identificar as barreiras que impedem o crescimento da nossa fé e, por via disso, a nossa participação da justiça de Deus. Trata-se, para mim, de duas categorias de barreiras a saber: O orgulho- que é um vínculo, distorcido, para connosco mesmos- e os demais vínculos exteriores a nós, e próprios do homem natural. A maior destas barreiras é o orgulho; porque dele nasce imediatamente, como que uma “alma gêmea”, o egoísmo. Pelo que, quando a humildade desaparece, o orgulho e o egoísmo crescente e florescem ganhando raízes. Por conseguinte, os outros vínculos naturais e, não menos nossivos, como o caso dos vínculos de parentesco, de amizade, vínculos tribais e raciais, comprometem também a nossa participação da justiça de Deus porque é deles aonde aparecem manifestações de nepotismo , amiguismo, tribalismo e racismo os quais fazem muitas vítimas na nossa Igreja e nossas Sociedades. Tudo isto são indicadores de falta de fé e, manifestam-se inclusivamente, em pessoas que receberam os sacramentos, com estudos teológicos muito avançados, pessoas que rezam e comungam regularmente e, até, assumem responsabilidades de relevo dentro da Igreja.
Na verdade, se queremos ser sujeitos da justiça de Deus é preciso desafiar os nossos “apetites” porque de contrário a nossa oração, súplica e prece não poderão atravessar os céus para ir até Deus, porque o nosso egoísmo dentro do qual o nosso orgulho está “preso” voluntariamente não deixa sair nada.
Na parte final vamos confrontar as palavras de Paulo a Timóteo nesta sua epístola, 2 Tm 4,6-8.16-18 com o conteúdo da oração do publicano e do fariseu para verificarmos de que lado- segundo a justiça de Deus- ele se encontra.
É, sobejamente sabido que, Deus não acolheu com agrado a oração do fariseu mas sim a do publicano, porque Deus não acolhe as orações dos orgulhosos, dos egoístas, dos que se consideram perfeitos e, por isso desprezam os outros. Será que Paulo , criado e educado como fariseu, terá nesta epístola mostrado sinais de saída do orgulho farisaico para uma vida revestida de humildade? Tudo leva a crer que sim porque de entre os vários aspectos que menciona afirma que o Senhor é um justo Juiz. Isto corresponde com o que tratamos na primeira leitura. Além disto, Paulo diz que o prémio que ele espera das mãos de Deus, é extensivo a todos os que esperara com amor a vinda do Senhor. Paulo afirma também que o Senhor esteve sempre a seu lado dando-lhe força para que o Evangelho fosse proclamado, por seu intermédio, a todas as nações. Portanto, o que Paulo deixa a Timóteo e a todos nós, não é orgulho nem egoísmo e muito menos outros vínculos. Ele deixa um legado, próprio de alguém que participou da missão do Servo Sofredor e que agora espera, com os seus irmãos a coroa da glória. Tudo faz acreditar que Paulo já superou o pensamento farisaico, na compreensão a que temos hoje e, está limpo. Concluindo: Paulo e o publicano são a prova de que Deus não se importa das nossas raízes e muito menos do nosso histórico. O que Deus quer é que nós abandonemos o orgulho, o egoísmo, o nepotismo o tribalismo, o racismo e outros vínculos mundanos, abracemos pela fé a humildade para que possamos participar da Sua justiça.
Pergunta para reflexão
- Será que nós estamos dispostos a combater as barreiras que nos impedem de participar da Justiça de Deus?
- Estamos convencidos que, nesta Igreja, todos somos irmãos e ninguém deve ser tratado com desprezo por causa do que quer que seja?
- Estou convencido que o juízo de Deus é superior ao meu juízos?