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Festa da Exaltação da Santa Cruz

Domingo, 14 de Setembro de 2025

A Igreja particular de Angola vive momentos jubilares. As dioceses de Ondjiva, Menongue, Saurimo e Sumbe estão celebrando os 50 anos de fundação. Ao mesmo tempo que o País comemora o jubileu de ouro da Independência. De recordar, no domingo passado celebrou o encerramento da peregrinação anual ao Santuário Diocesano da Mamã Muxima, missa presidida por Dom Xavier, Bispo Auxiliar de Maputo. Para a Igreja Universal, tivemos o privilégio de ganhar mais dois santos dos nossos tempos: Acutis e Frassati.

Agora, vamos comentar os textos sagrados deste Domingo 14.

A Igreja celebra hoje a Festa da Exaltação da Santa Cruz de Cristo Jesus. Deus escolheu o caminho da Cruz para revelar seu amor e comunicar a vida. A cruz, na cultura hebraica, era um instrumento de castigo, de condenação, de suplício. Era a pena capital reservada aos prevaricadores da Lei, aos bandidos, aos escravos rebeldes, aos marginais da sociedade, aos culpados de crimes. Foi na cruz que Jesus ofereceu ao Pai o seu sacrifício, em expiação dos pecados de toda a humanidade. Ele é o servo inocente, julgado e condenado injustamente. No entanto, desde a crucificação de Cristo Jesus que a cruz passou a ser símbolo e instrumento de salvação. A Cruz de Cristo é, portanto, o anúncio do projecto de Deus, é ao mesmo tempo a denúncia de todas as formas de opressão, de escravidão que não levam à vida. Celebrar hoje esta Festa é exaltar a Santa Cruz na qual esteve suspenso o Salvador do mundo que manifestou o seu amor pleno ao derramar sangue e água, símbolos da Eucaristia, do nascimento da Igreja. Portanto, ser cristão é seguir Jesus carregando a Cruz. Olhar para a cruz é contemplar o grandioso amor de Deus por todos, pois, em Cristo Jesus, a cruz deixou de ser o fim, tornando-se um instrumento de redenção. «Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. N`Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres» (Gal. 6, 14).

Na primeira leitura, tirada do livro dos Números (Nm 21,4b-9), vemos que a serpente de bronze, levantada por Moisés no deserto, segundo indicação divina, foi sinal de salvação para o povo de Israel. Contemplando-a, os hebreus, que atravessavam uma crise de fé, salvavam-se e reconheciam a grandeza de Deus e a sua misericórdia pela cura dos seus pecados. Os murmúrios, a ingratidão daquele povo fez com que surgissem no seu meio serpentes venenosas e terríveis que mordiam e matavam as pessoas. Na verdade, era o próprio Deus que os salvou e não a serpente de bronze, como nos recorda o livro de Sabedoria: «Quem se voltava para Deus era curado, não pelo objecto que via, mas, sim, por Ti, Senhor, que és o salvador de todos» (Sab 16,7). Também hoje nos dias que correm, a humanidade vai conhecendo várias serpentes venenosas que desviam as pessoas do caminho de Cristo. A crise alimentar, o calor insuportável no deserto, a instabilidade habitacional, fizeram com que os israelitas murmurassem contra Deus e considerassem que Deus era incapaz de conduzi-los até ao destino. Aí surge a saudade, vontade de retornar à terra do Egipto, terra da opressão. Também nós, com os problemas que enfrenta o mundo, achamos que Deus nos abandonou, deixou-nos à nossa sorte. Mas, é exactamente nessa situação que o Senhor quer o nosso arrependimento, a nossa conversão. Pois, não há salvação sem a cruz, não há vitória sem a batalha, sem o sacrifício.

Na segunda leitura, extraída da Carta de São Paulo aos Filipenses (Fil 2, 6-11), o Apóstolo, ainda preso, mas era uma comunidade muito boa e Paulo sentia-se bastante feliz pela vida e o testemunho dos seus habitantes. Porém, havia o problema dos ciúmes e invejas entre os cristãos e a tendência de alguns intitularem-se de líderes religiosos sem formação doutrinal. Com determinação, Paulo apresenta a identidade de Jesus, manso e humilde, e chama a atenção daqueles que tinham como desejo o poder, a fama, as honras, os privilégios e o domínio humano. Jesus não se apegou à sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se, tornou-se servo, semelhante aos homens, fez-se obediente até à morte e morte de cruz. Mesmo nos nossos dias há gente que está na Igreja, mas não se identifica com ela. Andam em busca de poder, de fama, de honras, de um lugar de destaque. Rezemos para que as tendências humanas de poder sejam purificadas pela Palavra de Deus.

No Evangelho de hoje (Jo 3, 13-17), vemos Jesus dialogando com um doutor da Lei, Nicodemos que, mesmo sendo mestre em Israel, ignora totalmente o que é nascer de novo. Jesus explica-lhe a necessidade de nascer de novo e olhar para o alto, vendo Jesus elevado na cruz, a exemplo da serpente de bronze levantada por Moisés no deserto, se quiser ser discípulo do Mestre dos mestres, Jesus Cristo. Tal como os prodígios de Deus realizados no deserto pela mão de Moisés, o Evangelho dá um significado pleno da realização da vontade de Deus que não deseja que as pessoas se percam, nem sente satisfação condenar alguém. Portanto, o sofrimento, a fome, a guerra, a injustiça, o pecado, a opressão e tudo que gera a morte do povo não têm a última palavra. Pois, Cristo venceu a morte com a sua ressurreição.

Resumindo e concluindo, podemos dizer que, ser cristão é assumir a cruz, não como sinal de sofrimento, mas como sinal da redenção em Cristo salvador.

Desejo a todos e todas um Domingo abençoado por Deus!

Pe. Correia Hilário
Pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus
Luanda