Gn 18,20-32; Sl 137 Sl 137 (138), 1-3.6-8; Cl 2,12-14; Lc 11,1-13
A liturgia da palavra de hoje, XVII Domingo do Tempo Comum, nos ensina o significado da oração e como devemos orar.
A primeira leitura apresenta-nos a história da intercessão de Abraão em favor das cidades depravadas de Sodoma e Gomorra prestes a serem destruídas (Gn 18,20-32). Esta história ensina-nos muito sobre a oração: 1. Que a oração humana pode mudar o plano de Deus, despertando a sua misericórdia; 2. Que a oração não deve ser egoísta. Abraão, de facto, não pede para si mesmo, mas pede pelos outros e recebe; 3. Que os justos, mesmo que em número reduzido, são instrumento de salvação para muitos.
Na segunda leitura (Col 2,12-14), o apóstolo Paulo recorda-nos que a oração não é uma simples lista de pedidos apresentada a Deus, mas, antes de tudo, é a consciência de que, mesmo antes de pedirmos, já recebemos. A vida de comunhão com o Senhor Ressuscitado é que torna possível a oração: “Quando estáveis mortos nos vossos pecados e na incircuncisão da vossa carne, Deus fez que voltásseis à vida com Cristo.” (Col 2,13a). Neste sentido, a gratidão a Deus, tal como a cantamos no Salmo responsorial de hoje, o Salmo 137, surge espontânea: “De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças, porque ouvistes as palavras da minha boca…” (Sl 137,1)
No evangelho (Lc 11,1-13), S. Lucas nos apresenta uma série de ensinamentos de Jesus sobre como devemos orar. Em resposta a um dos seus discípulos que lhe pede para que os ensine a orar, Jesus, apresenta a oração do Pai-nosso, que, mais do que uma prece pronta, uma fórmula de oração a ser memorizada e repetida mecanicamente, indica uma atitude, ou seja, a necessidade de configurarmos radicalmente o nosso coração, distraído e distante, ao seu Coração, voltado inteiramente a Deus que é Pai, ou melhor, “paizinho querido”, tal como sugere a expressão original “Abba”. O Papa Francisco, ensina-nos que, ao rezar essa oração, devemos nos libertar das barreiras da sujeição e do medo: Deus é Pai que tem uma imensa compaixão por nós e quer que seus filhos lhe falem sem medo, chamando-o directamente de Pai (Catequese sobre o Pai-Nosso, de 15/12/2018). Depois, Jesus indica-nos o objecto da oração, sugerindo cinco petições: a santificação do nome de Deus, a vinda do seu Reino, o pão de cada dia, o perdão dos pecados e a ajuda de Deus nas tentações. Estas petições nos ensinam que se eu fizer minha a preocupação de Deus, ou seja, a santificação do seu nome e a instauração do seu reino, Ele próprio fará suas as minhas preocupações. A oração, portanto, não é uma fórmula mágica que faz acontecer automaticamente o que eu peço sem o meu empenho. Quem ora é chamado a buscar viver de acordo com a vontade de Deus.
Para elucidar quanto nos ensinou sobre a oração do Pai-nosso, e em jeito de conclusão, Jesus conta duas parábolas. Com a primeira parábola, a do amigo inoportuno (vv. 5-8), Jesus recomenda a oração insistente e perseverante, como Abraão na primeira leitura, sem medo de parecer inoportuno. Por isso, contra a frequente tentação de abandonar a oração pelos muitos pedidos não atendidos, ensina: “pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á.” Com a segunda parábola (vers. 9-13), Jesus convida-nos à confiança em Deus pois, se um pai terreno dá apenas coisas boas aos seus filhos e nunca os engana, quanto mais Deus, o melhor dos pais! Na nossa oração, portanto, podemos pedir o que acharmos apropriado, mas temos que saber deixar a resposta a Ele que é o Pai, e Ele nos dará o que é verdadeiramente certo.
Que a liturgia da palavra deste domingo nos ajude a melhorarmos a nossa oração, intensificando a nossa condição de filhos de Deus e de seus colaboradores na santificação do seu nome e na instauração do seu reino de paz e de amor no mundo.