Solenidade da Santíssima Trindade
Caros irmãos em Cristo. Estamos no XI Domingo do tempo comum, Solenidade da Santíssima Trindade. O tema acima corresponde ao que Jesus prometeu aos Seus discípulos antes de voltar para a casa do Pai. O Espírito da verdade ou o Espírito Santo – segundo o nosso credo- que guiará a Igreja e, por meio dela, a humanidade inteira, para a Verdade plena, procede do Pai e do Filho e, com o Pai e o Filho é adorado e glorificado. É adorado e glorificado porque Ele é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. É, por isso que Jesus ao falar do Espírito Santo, afirma ser o Espírito da Verdade, porque em Deus não não há mentira alguma, Ele é a Verdade e a Verdade plena. Assim, sendo Deus a Verdade plena, nós afirmamos, com toda a convicção, que toda a verdade vem de Deus; só assim é que não voltaremos a cair na mentira do diabo.
Mas o facto de sabermos que Deus, Trindade Santa, é a Verdade plena não esgota o mistério que Jesus quis nos revelar nesta afirmação. Deste modo, a pergunta que se levanta é esta: Por que razão o Espírito da verdade deverá nos guiar para a verdade plena? O que seremos quando chegarmos ao conhecimento da Verdade plena que é Deus? É aqui aonde está a essência da missão do Espírito Santo e a necessidade de sermos dóceis a Ele em todo este processo. A resposta a estas questões remonta as origens; precisamos ir ao encontro daquilo que Deus disse ao criar o homem. Disse Deus: “ Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança e domine sobre……” Gn 1,26. Esta afirmação colocava a nossa natureza humana a participar da natureza Divina revestida de dignidade, poder e autoridade sobre todas as demais criaturas. Foi isto o que exacerbou a ira do diabo contra Deus e despoletou a sua inveja contra o homem, levando-o a ensaiar tudo o que estava ao seu alcance para que este projecto nunca pudesse avançar. Foi, portanto, para que o homem nunca participasse da natureza Divina que o diabo procurou apresentar ao homem um Deus que não era verdadeiro, que nao era Pai, amor em plenitude e, muito menos Felicidade eterna. E, infelizmente, os nossos primeiros pais acreditaram nesta mentira, resultando no pecado original. Por conseguinte, foi para que o homem voltasse ao conhecimento do seu Deus que o Pai, no Seu infinito amor e misericórdia, enviou o Seu Filho ao mundo para semear no coração do homem a semente da verdade, cabendo ao Espírito da verdade acompanhar a verdade semeada até à sua plena realização. Por outra, cabe ao Espírito Santo auxiliar o homem, em tudo o que for preciso, para que este, colaborando com o Espírito da verdade, caminhe, sem sobressaltos e sempre vitorioso até voltar ao seu Deus. E, uma vez junto de Deus, este homem, voltará à sua originalidade, à condição primeira da sua existência para a qual foi criado, ser imagem e semelhança de Deus. Isto é possível, porque aquele que pretendia inviabilizar o projeto de Deus já foi vencido na Cruz de Cristo.
Ora, caminha para o retorno à Verdade plena com a semente da verdade no coração não é privilégio só para uma parte da humanidade mas para toda a humanidade. Todos os seres humanos são chamados ao conhecimento do seu Deus; são chamados a voltar à condição primeira da sua existência, ser imagem e semelhança de Deus. A prova disso está naquilo que Jesus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, disse aos seus discípulos:
- “Eu vim ao mundo para que todos tenham vida e vida em abundância.” Jo 10,10.
- Tenho outras ovelhas que não pertencem a este curral. Eu tenho de conduzir a elas também e, elas atenderão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor.”
- “Quando Eu for levantado do chão atrairei tudo a Mim. Jo 12, 32-34.
- Ide e ensinai a todas as criaturas baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” Mc 16,15-20. Ou: “Ide e ensinai a todas as nações, quem acreditar e for batizado será salvo.” MT 28,19-20. Nesta missão, o Pai, pelo Seu Filho e sob o guia Espírito Santo, manifesta a Sua vontade de ser conhecido por todas as criaturas como Deus Trindade Santa. Porque quando Jesus disse, ide por todo o mundo, a todas as nações e ensinai a todas as criaturas, referia-Se a todas as criaturas humanas sem excepção. Pelo que, quando Jesus deu esta ordem, sabia muito bem que havia no mundo muitas religiões e que, ao longo da história, apareceriam outras ainda. Mesmo assim, Ele deu esta ordem, apesar de saber que seria desafiadora para a Sua Igreja. Os dados estão lançados e isto não deve ser contornado de forma alguma. Se mesmo o povo eleito, que já adorava o verdadeiro Deus precisava de ser evangelizado, o que dizer dos outros povos? Aliás, basta verificar o que aconteceu com Paulo, junto ao rio , com aquelas mulheres em que uma delas, Lídia, já adorava o Deus verdadeiro. Act 16,14-18.
Agora, como fazer com que as outras ovelhas que não pertencem a este curral venham para este curral e haja um só rebanho e um só Pastor? Por outra, como levar todos os povos ao conhecimento do seu Deus na Sua Trindade? Usando o caminho das ameaças ou da violência? A resposta é não e nunca. A missão é clara e o caminho que, parece difícil de encontrar, também é claro e ao alcance da Igreja que tem a responsabilidade de pôr em marcha este projeto de Deus. E qual é esse caminho? O caminho está nesta declaração que Jesus fez e vamos retomar:
“Quando Eu for elevado da terra atrairei todos a Mim.” E o primeiro que se sentiu atraído por Cristo foi aquele centurião que disse: “ Verdadeiramente este homem era Filho de Deus.” Mc 15,39. Até podia ser o bom ladrão mas o peso vai mais para o centurião.
Portanto, o mistério da Cruz é o caminho da Igreja para que, com o auxílio do Espírito Santo possa atrair todos a Cristo. Em suma, a Igreja deve, através do Espírito Santo, ensinar e testemunhar o mistério da nossa salvação a todos os povos de forma atrativa. Por outra, a Igreja iluminada e guiada pelo Espírito da verdade é chamada a viver no mundo o Sacrifício de Cristo de forma atractiva e a produzir frutos deste sacrifício por forma a atrair todos a Deus. Uma Igreja não atrativa nunca corresponderá aos planos do seu Mestre, Cristo e nunca levará a humanidade a verdade plena.
Sobre esta matéria, é preciso que a Igreja saiba que o projeto de Cristo de atrair tudo a Si, tem concorrentes: As outras religiões monoteístas , que adoram o Deus verdadeiro, mas que não acreditam em Deus Trindade, também procuram ser atrativas. Fora do âmbito religioso, todas as forças contrárias a Deus, também procuram apresentar-se de forma atrativa: O consumismo, o secularismo, o ateísmo e todas as formas de pecado trazem consigo um revestimento atrativo, por isso arrastam massas humanas para si. Pelo que, o desafio não é pequeno. Assim sendo, a Igreja, povo de Deus deve abrir-se por completo à força do Espírito Santo para que possa manifestar uma atração superior a todas as demais atrações. Ela deve, no exercício da sua missão, ser capaz de atrair homens e mulheres de todas as idades e condições. Isto significa que, a catequese deve ser atrativa; a liturgia deve ser atrativa; a Eucaristia, centro da nossa fé, deve ser celebrada e vivida de forma atrativa; os sacramentos também; as vocações devem ser acolhidas e formadas de forma atrativa; as comunidades cristãs e religiosas devem levar uma vida atrativa; o relacionamento entre superior e subordinados deve ser atrativo; enfim, todos os ministérios devem assumir a sua missão de forma atrativa.
A Igreja deve evitar que a humanidade pense como aquele líder indiano, Mahatma Gandhi, que dizia que acreditava em Cristo mas não no cristianismo.” O Dr J. H. Holmes resumiu a visão do líder indiano sobre o cristianismo em uma revista a um repórter do CRIMSON nos seguintes termos: “Eu acredito nos ensinamentos de Cristo mas vocês do outro lado não.” E continua: “Os cristãos buscam riquezas e exploram os seus irmãos. Sua propriedade é muito mais essencial para eles do que vida, a liberdade e a felicidade dos outros.” É uma dura mas verdadeira acusação. Basta olhar para as guerras de hoje. O que Mahatma Gandhi denuncia a nosso respeito deve merecer toda a nossa preocupação porque não se ajusta a pessoas que afirmam ter fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo; Amor, paz, felicidade e verdade plena.
Para reflexão:
- Por que razão alguns dos nossos irmãos católicos abandonam a sua fé e vão para outras religiões?
- Será que, volvidos mais de dois mil anos, conseguimos atrair mais discípulos para Cristo?
- Como entender o avanço do secularismo no mundo?