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Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros

5.º DOMINGO DA PÁSCOA/ ANO C/ 18 Maio 2025

Neste 5º domingo da Páscoa, a liturgia recorda-nos que a comunidade nascida de Jesus tem como tarefa fundamental, no mundo e na história, ser sinal vivo do amor de Deus por todos os seus filhos. Foi essa a tarefa que Jesus, ao despedir-se, deixou aos seus discípulos.

O texto que a liturgia deste domingo nos propõe como primeira leitura é dos Actos dos Apóstolos 14, 21-27. Fala-nos de algumas comunidades cristãs da Ásia Menor nascidas do labor missionário de Paulo e Barnabé. São comunidades que acolheram a Boa Nova de Jesus e que aceitaram o desafio de viverem e de testemunharem o “mandamento novo”. Enquanto comunidades fraternas, animadas pelo dinamismo do Reino, elas são sal que dá sabor e luz que ilumina o mundo. Mostram-nos que não basta tomar, a decisão de aderir a Jesus; essa decisão tem de ser renovada a cada passo e mantida apesar das decepções e vicissitudes que abalam o mundo e a vida dos discípulos. Por isso, Paulo e Barnabé insistiam que era preciso manter o entusiasmo e a decisão inicial, apesar das muitas tribulações que aparecem ao longo do caminho.

A segunda leitura do Apocalipse 21, 1-5, apresenta-nos a meta final para onde caminhamos: o novo céu e a nova terra, a casa definitiva dos que foram chamados a viver no amor, a cidade nova onde os filhos amados de Deus encontrarão vida em abundância. João apresenta uma reflexão sobre o sentido da história humana e interpreta a história dos homens à luz do projecto de Deus. Recorrendo à linguagem sempre expressiva dos símbolos, João descreve a luta entre o Bem e o Mal, as forças de Deus e as forças que se opõem ao projecto de Deus. Trata-se, afinal, das vicissitudes e dificuldades que nós conhecemos bem, os problemas e contrariedades que o Povo de Deus enfrenta todos os dias ao longo do seu caminho histórico. João tem a certeza absoluta que o Mal não prevalecerá; a vitória final será de Deus e dos seus “santos”. Os impérios humanos desaparecerão, os ditadores arrogantes ficarão pelo caminho, os grandes do mundo não determinarão o sentido da história dos homens. No final do longo caminho histórico dos homens, está Deus e o seu projecto de salvação plenamente realizado. A humanidade não caminha para um beco sem saída e sem esperança; caminha ao encontro de uma nova terra e de um novo céu, onde habitam a justiça e a paz. É essa a realidade que esperam todos os filhos de Deus que, apesar da perseguição e dos obstáculos, mantiveram-se fiéis ao Cordeiro.

O Evangelho deste Domingo de João 13, 31-35, convida-nos a redescobrir o essencial da proposta de Jesus. Leva-nos à sala onde Jesus, pouco antes de ser preso e condenado à morte, celebrou uma ceia de despedida com os discípulos. A sua morte iminente será o momento em que a “glória” do Pai se manifestará em toda a sua plenitude, pois todos os que contemplarem a cruz poderão ver e compreender, naquele “Filho do homem” que oferece a sua vida até à última gota de sangue, a grandeza incomensurável do amor de Deus. Jesus convida-nos a escutar e a tomar nota do “testamento”: “dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Este “mandamento” resume toda a vida, todos os ensinamentos, todas as palavras e gestos, todas as propostas de Jesus. A contemplação do amor de Deus e do amor do próprio Jesus, deve ter consequências na vida dos discípulos. O amor que os discípulos manifestam entre si brilhará no mundo e será visível para todos os homens. Esse será o distintivo da comunidade do Reino de Deus. Os discípulos de Jesus não são os depositários de uma doutrina ou de uma ideologia, ou os observantes de determinadas leis canónicas, ou os fiéis cumpridores de certos ritos; mas são apenas aqueles que “amam como Jesus”; são aqueles que, pelo amor que partilham, vão ser um sinal vivo do Deus que ama todos os seus filhos.