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Declaração da IMBISA no workshop sobre comunicação e deficiência

Decorreu de 27 de Abril a 01 de Maio no Centro de Retiros Padre Pio, Pretória/África do Sul, o workshop sobre Comunicação e Deficiência, promovido pela IMBISA, sob o lema “Preenchendo lacunas: Conferência regional sobre comunicação e deficiência na região da IMBISA”, com a participação de delegados de todas as Conferências Episcopais da IMBISA, entre bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos e leigos. No final do workshop, os delegados chegaram às seguintes conclusões e recomendações:

  1. O percurso sinodal revelou-nos um momento particularmente oportuno para responder ao pedido fundamental que os fiéis com deficiência apresentam à Igreja: a sua plena participação na família do povo de Deus.
  2. Conhecer e respeitar as características físicas, sociais e educativas, bem como as capacidades das pessoas com deficiência, é o primeiro passo para que a Igreja possa garantir um ambiente de vida inclusiva.
  3. A inclusão das pessoas com deficiência exige passar do acolhimento à participação activa, reconhecendo-as como cristãos católicos plenos, e não apenas como beneficiárias de ajuda. Por conseguinte, uma Igreja sinodal deve eliminar as barreiras físicas, comunicacionais e atitudinais, garantindo o acesso aos sacramentos e integrando-as na catequese e na vida pastoral.
  4. Os delegados comprometem-se a trabalhar no âmbito eclesial e para além dele, para superar o preconceito e a mentalidade de um “grupo à parte”, promovendo uma verdadeira conversão do coração para acolher a deficiência como parte da diversidade da comunidade.
  5. A acessibilidade e a inclusão de pessoas com deficiência devem ser priorizadas e garantidas na Igreja. Portanto, pessoas com deficiência podem ser catequistas, leitores e líderes pastorais, como foi incentivado pelo Papa Francisco, passando do “eles” para o “nós”.
  6. A inclusão, em uma Igreja sinodal, é um direito e uma expressão do amor de Deus, teologicamente fundamentada no reconhecimento do outro como imagem de Deus. Por isso, é urgente criar grupos de conscientização para promover a acessibilidade e a formação de agentes pastorais, garantindo que a liturgia e a catequese sejam adaptadas para que todos compreendam e vivam a fé.
  7. Deve-se incentivar a eliminação de barreiras arquitectónicas, que tornam as igrejas inacessíveis, bem como a tradução para linguagem de sinais, a audio-descrição das celebrações e a disponibilização de documentos eclesiais em Braille.
  8. As deficiências não representam doenças ou ineficiência no ambiente social e eclesial. Pelo contrário, a Igreja que promove esse tipo de inclusão demonstra atitudes acolhedoras como família de Deus.
  9. Capacitar os agentes de pastoral para que saibam acompanhar pessoas com deficiência em percursos personalizados de preparação para os sacramentos, incluindo a ordem e o matrimónio. É também necessário capacitar as pessoas com deficiência para que possam contribuir como testemunhas e formadoras. Em particular, os casais que vivem com deficiência podem colaborar no acompanhamento da pastoral familiar nas dioceses.
  10. Capacitar os catequistas na gestão e no acompanhamento do percurso mistagógico da fé cristã, com atenção específica às pessoas com deficiência. Seria importante que, mesmo nos cursos de formação de seminaristas, os estudos incluíssem adequadamente o tema da deficiência, do Braille e da linguagem de sinais, inserindo testemunhos directos de pessoas com estas condições.
  11. O papel dos agentes pastoral, em relação às pessoas com deficiência na Igreja, deve centrar-se na inclusão total, no acolhimento, na evangelização e na valorização da dignidade inalienável de cada indivíduo, eliminando as barreiras físicas e mentais. Por conseguinte, é urgente encorajar, influenciar e sensibilizar as comunidades, os catequistas e outros agentes de pastoral para a importância da inclusão.

 

Os Delegados