General

“Esforçai-vos para entrar pela porta estreita” (Lc 13,24 )

Partilha da Palavra de Deus do XXI Domingo do Tempo Comum

ANO C

24/08/2025

I Leitura: Is 66,18-21

A primeira leitura deste Domingo, é tirada da terceira parte do Livro de Isaías (cc. 56-66), mais exactamente no c. 66, que é o último de todo o documento.

Depois da experiência dolorosa do Exílio, vem a terceira parte de Is falar do regresso dos exilados ou seus descendentes à terra, onde poderão à vontade adorar o seu Deus e no seu Templo. Essa “boa notícia” atinge o seu ponto mais alto em Is 66 onde o Senhor depois de prometer reunir todas as nações e línguas (vv. 18-19), garante que as mesmas nações verão a glória do Senhor. Contudo a maior novidade é quando afirma, a certa altura, que “de entre estes tomarei alguns para sacerdotes e levitas”(Is 66,21). Esta afirmação é inaudita porque mesmo entre as doze tribos de Israel, os sacerdotes provinham apenas da tribo de Levi (Ex 13,11; Nm 3,11), portanto admitir que entre os convertidos surgiriam alguns sacerdotes é verdadeiramente uma mensagem universalista que ultrapassa todas as expectativas.

II leitura: Hb 12,5-7.11-13

A Epístola aos Hebreus (Hb), com uma linguagem bastante bem trabalhada no contexto do Novo Testamento, é concebida como uma exortação (Hb 13,22) dirigida a cristãos que se tinham convertido do judaísmo ao cristianismo. Desiludidos com a simplicidade do culto cristão, eles que no passado tinham mostrado forte testemunho com entrega até ao martírio (10,32-34), agora “com mãos fatigadas e joelhos vacilantes”, como se de coxos se tratasse, pretendiam voltar às suas práticas antigas do judaísmo a que o autor chama de apostasia. O autor de Hb mostra-lhes que Jesus Cristo é o Sumo sacerdote fiel cujo sacríficio está muito acima dos sacrifícios da religião judaíca.

Este apelo se faz muito actual para todos nós cristãos que, por diversas razões, somos tentados a abandonar a nossa Igreja em busca de um esplendor maior. Contudo, na simplicidade e na humildade ou mesmo no esplendor, a mesa do Pão eucarístico, antecedido da partilha da sua Palavra é a melhor e maior herança que Cristo nos legou.

Evangelho: Lc 13,22-30

Evangelho deste Domingo é um trecho inserido na grande secção de Lc 9,51-19,27, normalmente com o título genérico de “Jesus a caminho de Jerusalém”. Esse aspecto é sublinhado pelo evangelista ao afirmar que Jesus “atravessava” cidades e aldeias, no seu caminhar para Jerusalém iniciado em 9,51 (cfr. Lc 13,22b). A pergunta colocada por um anónimo a Jesus sobre se são poucos os que se salvam (v. 23) provavelmente foi suscitada por um ensinamento anterior de Jesus em Lc 13,3.5 onde dizia aos seus ouvintes que se não se arrependessem haviam de perecer.

Na sua resposta, de forma metafórica, comparou o acesso à salvação ao ingresso em uma porta estreita para o qual o acesso é restrito, cuja condição é a conversão como dito em Lc 13,3.5. O tema da porta e o grito ao dono da casa com frases como “Senhor, abre-nos”, lembra-nos Mt 7,13-14 e Mt 25,10-12 onde os que ficam de fora tentam até ao último momento ter o acesso à porta, acesso este que lhes é negado.

Podemos então dizer que, a par da abertura universalista, sublinhada na primeira leitura, a Palavra de Deus neste Domingo, especialmente com os vv. 28-30 do c. 13 de Lc deixa claro que o acesso ao Reino de Deus não é algo conquistado para sempre, muito menos por legames de sangue ou tribo, mas sim está reservado para quem quer que seja, o qual escutando essa mesma palavra se converte e guia os seus passos através dela, seja ele de origem pagã ou judaica.