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A MISERICÓRDIA DO SENHOR É PARA TODOS OS QUE AMAM

XX DOMINGO COMUM ANO A – 16-08-2026

Seja Louvado Senhor nosso Jesus Cristo!

Amados Irmãos, temos vindo a meditar na Misericórdia do Senhor e neste domingo podemos compreender a profundidade do amor misericordioso que Ele tem por nós.

Temos aquela canção que pergunta: «Senhor quem entrará no santuário para Te louvar?»

Na verdade, percebemos que o Amor de Deus é tão Profundo que a sua Misericórdia é universal, é para todos os homens e mulheres deste mundo: «faz chover sobre justos e injustos». Por isso, vemos, no Evangelho, que Jesus sai de do território de Israel, para uma região ou uma terra considerada pagã.

Com este movimento, para fora dos “quadros judeus” de Salvação, o Senhor revela que Deus vem para todos sem fronteiras geográficas, de raças ou culturas. Isto nos leva, então, para a primeira leitura.

Na 1ª Leitura, o profeta Isaías, responde a nossa pergunta, na canção acima: a casa de Deus é “casa de oração para todos os povos”: “Vês como o desígnio de Deus se expande? Ele não veio para salvar apenas uma nação, mas para recolher numa só Igreja todos os filhos de Deus que andavam dispersos pelo mundo.” São João Crisóstomo.

Filhos amados de Deus!

O Senhor, de certo, faz um movimento misericordioso em direção a nós e a cada um; disposto a abraçar e a amor profundamente. No entanto, espera um movimento interior, de reconhecimento, gratidão, conversão e fé da parte do homem.

Este movimento interior deve manifestar-se em gestos concretos e um dos principais se traduz em Oração persistente e humilde, como da mulher cananeia que aborda Jesus chamando-O de “Senhor, Filho de David”. Ela reconhece a Sua identidade messiânica, mesmo sendo estrangeira, pagã. Assim, também nós como ela, quando na Missa dizemos ou cantamos: “Senhor, tem piedade”, não repetimos, em certo modo as palavras e a veneração daquela mulher cananeia?

A estas palavras, esta oração, tantas vezes por nós rezadas na Missa e fora dela, parece ter como resposta do Senhor o silêncio. Parece que o Senhor não vê os nossos sofrimentos e rogos, as nossas dores e inquietações. Pois irmãos, diz-nos a Escritura «ainda que uma mãe abandone o filho que amamentou, eu nunca abandonaria o meu povo».

Este silêncio deve servir-nos de prova, fortaleza na fé, para sermos mais determinados e persistentes na oração. Diz Santo Agostinho:

“Deus, às vezes, adia o Seu auxílio, mas não o nega. Ele retém as Suas bênçãos por um momento, não para nos rejeitar, mas para tornar o nosso desejo mais ardente e a nossa fé mais forte”.

E Santo Efrém da Síria:

“O Senhor esconde-Se no silêncio para que a nossa voz se eleve com mais força. Ele parece dormir na tempestade apenas para testar a têmpora da nossa confiança.”

Por isso, quando Jesus parecia ignorar a mulher por não pertencer as “ovelhas perdidas da casa de Israel”, ela dá-nos um ensinamento, insiste, não se ofende ou desiste, não se retrai, não perde a esperança, não perde a fé. A mulher com profunda humildade e inteligência espiritual declara ao Senhor: “sim Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos”.

Amados irmãos! Esta manifestação de perseverança, humildade e determinação é o que se exige de cada um de nós, e a manifestação de uma Fé madura: depois de acolhidos pelo Senhor, recebidos nos seus dons. Guiados alimentados pelo Senhor, a nossa fé tem de ser capaz de mover barreiras diante de nós e da nossa família. E não precisamos ser importantes ou “doutores da lei” para conquistarmos o Coração Misericordioso de Deus. Aquela mulher veio de um ambiente desprezado pelos judeus, considerada, junto com a sua família, fora dos planos divinos de salvação, no entanto, recebe de Cristo este elogio: “grande é a tua fé!”.

Com Paulo, na segunda leitura, seguindo a mensagem do Evangelho, que mostra o contraste no acolhimento do Amor de Deus, ou seja, muitos do povo escolhido mostravam dureza de coração, enquanto uma mulher pagã torna-se modelo de confiança e perseverança no Senhor, percebemos que os dons e o chamamento de Deus são irrevogavelmente universais.

Portanto, devemos abrir-nos ao acolhimento e amor e sermos instrumentos da misericórdia de Deus para «todos todos todos», sem exclusões. Acolher os “estrangeiros” ou aqueles que estão fora da nossa convivência habitual, reconhecendo que a graça de Deus atua em todos os corações.

Devemos, finalmente, é desenvolver uma atitude profunda e determinada nas nossas orações, mesmo nos supostos silêncios de Deus diante das dificuldades da nossa vida, com confiança insistente e humilde, e não homens e mulheres de joelhos dobrados, quando os pés estão cansados ou doloridos ou de uma oração momentânea no desespero.

Com Maria Mulher acolhida no Céu, porque fez o caminho, reconheceu a sua humildade e acolheu Deus em si, elevemos a nossa vós em oração de fé, que esta seja proclamada e vivida diariamente por nós.

E peçamos que também sejamos curados, justificados acolhidos como “filhos” na casa do Pai, confiantes de que “A misericórdia divina não faz aceção de pessoas. Onde há um coração arrependido e uma fé sincera, aí o Senhor entra e faz a Sua morada”, aconselha São Leão Magno.